O Terminal Linux do Android deixou de ser território exclusivo dos Pixel e dos Galaxy com Exynos. O Redmagic 12 Pro é agora o primeiro telefone com processador Snapdragon a correr esta funcionalidade, segundo confirmação do 9to5Google.
A verificação partiu de uma pergunta de um leitor e foi confirmada com comandos executados no próprio equipamento. É uma novidade pequena em número de utilizadores e grande em significado.
Durante meses, a lista de compatibilidade do Terminal ficou limitada a hardware da Google e, mais tarde, aos Samsung com chip Exynos. Os Snapdragon, que dominam boa parte do mercado Android de topo, estavam de fora.
O Redmagic 12 Pro abre uma fresta nesse muro, ainda que com condições próprias. O AndroidGeek já tinha abordado este contexto em Honor Win 2 lidera AnTuTu em outubro com 10.100 mAh e Snapdragon 8 Elite Extreme Gen 6: O Honor Win 2 chega ao topo da AnTuTu em outubro com 4,95 milhões de pontos e uma bateria de 10.100 mAh.
O Xiaomi 18 Fold cai para. O Terminal não transforma o telefone num portátil.
Dá acesso a um ambiente Linux dentro do Android, com comandos, pacotes e ferramentas que normalmente exigiriam um computador. Para quem trabalha com desenvolvimento, administração de sistemas ou simplesmente gosta de experimentar, a diferença entre ter e não ter esta funcionalidade é grande: passa a ser possível correr utilitários de linha de comandos no mesmo aparelho que se leva no bolso.
A Google introduziu o Terminal como funcionalidade para utilizadores avançados no Android 16, nos Pixel. A Samsung seguiu com o One UI 8.5 nos Galaxy S26 equipados com Exynos.
A ausência dos Snapdragon não significava impossibilidade técnica, mas sim falta de validação e suporte por parte de quem controla o hardware e o software. O caso do Redmagic 12 Pro mostra que a barreira era, pelo menos em parte, comercial e de engenharia de integração, não uma limitação absoluta do chip.
A implementação no Redmagic 12 Pro não é idêntica à dos Samsung com Exynos. O disco disponível para o Terminal está fixo em 132GB e não pode ser ajustado.
É uma decisão estranha para um equipamento que se quer posicionar junto de utilizadores avançados: quem instala ambientes de desenvolvimento ou conjuntos de dados maiores pode sentir o teto. A fonte não explica se a limitação vem do fabricante, do sistema ou de outra camada.
A memória, essa, é configurável. Por defeito, o Terminal tem acesso a 1GB, mas o Redmagic 12 Pro permite subir até 10,6GB.
Para compilar código, correr contentores ou abrir aplicações gráficas, esta margem faz diferença. O equipamento também permite ajustar a resolução de ecrã do ambiente Linux e ativar a opção Keep Awake nas definições avançadas, útil para processos longos que não devem ser interrompidos pelo ecrã a apagar.
O Redmagic 12 Pro suporta a funcionalidade GUI do Terminal, o que significa que programas com interface gráfica, como o GIMP, deverão funcionar se forem instalados com sucesso. O autor do artigo original relata, no entanto, erros 404 ao usar o comando de instalação padrão.
É um detalhe que vale a pena reter: o suporte existe, mas o caminho até ter uma aplicação gráfica a correr pode não ser imediato. Para quem já lida com Linux, são obstáculos familiares; para quem espera uma experiência de loja de aplicações, é um aviso.
A chegada do Terminal a um Snapdragon tem uma consequência que ultrapassa o Redmagic 12 Pro. Se a Qualcomm validar e alargar o suporte, outros fabricantes que usam os mesmos chips podem seguir o caminho.
O 9to5Google já contactou a Qualcomm para saber se isso vai acontecer, mas ainda não há resposta. Sem essa confirmação, o Redmagic 12 Pro é uma exceção, não uma tendência.
Há também uma leitura sobre o posicionamento do Android. A Google tem vindo a aproximar o sistema de um ambiente de produtividade mais flexível, e o Terminal é a peça mais visível dessa estratégia.
Ao abri-lo a hardware de terceiros, mesmo que de forma faseada, a plataforma ganha uma funcionalidade que antes era argumento de compra quase exclusivo dos Pixel. Para os utilizadores avançados, isso reduz a dependência de uma única marca.
As fontes indicam que o Redmagic 12 Pro entra em pré-encomenda a 12 de novembro, com ofertas e um desconto de lançamento válido antes de 17 de novembro. Não há, no entanto, informação sobre preço em euros, lojas portuguesas ou operadores que venham a comercializar o equipamento.
Para quem em Portugal esteja a ponderar a compra por causa do Terminal Linux, esses dados continuam em falta. Vale a pena separar o que está confirmado do que é expectativa.
Confirmado: o Terminal corre no Redmagic 12 Pro, com disco fixo em 132GB, memória configurável até 10,6GB e suporte a GUI. Não confirmado: se outros Snapdragon terão a mesma funcionalidade, qual o preço em Portugal e se a limitação de disco é definitiva ou contornável por atualização.
A notícia é relevante, mas não deve ser lida como uma mudança de paradigma imediata. O Redmagic 12 Pro é um telefone de nicho, vendido sobretudo a quem procura desempenho e personalização, e o Terminal Linux é uma funcionalidade de nicho dentro desse nicho.
O que muda, para já, é a possibilidade de escolher hardware Snapdragon sem abdicar de uma ferramenta que até aqui só existia em alternativa. Se a Qualcomm alargar o suporte, a conversa muda de escala.
Até lá, é um primeiro passo com limitações concretas e perguntas por responder. Leiam as últimas notícias do mundo da tecnologia no Google News , Facebook e X (ex Twitter) .
Android Geek