Alasca enfrenta ação de Trump e discórdia democrata

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Fonte da notícia: Globo Globo

O Alasca é o mais recente alvo na estratégia de Donald Trump de usar o Executivo para influenciar as eleições de meio de mandato em 3 de novembro, que trazem riscos de os republicanos perderem o controle do Congresso. É também reflexo do desespero do presidente na reta final da votação.

Nos últimos dias, Trump ajustou tarifas no Maine, anunciou recompensa de US$ 1 milhões para quem fornecer informações sobre supostas fraudes eleitorais e tentou, sem sucesso, bloquear votos na Califórnia. O Alasca como alvo não é aleatório.

Junto com Texas e Ohio, o Estdo tem uma cadeira republicana no Senado cujo disputa é considerada um empate e onde os democratas têm mais chances de virar do que em outras corridas acirradas, como Maine, Kansas e Iowa. O Departamento de Justiça (DOJ) entrou com ação, na semana passada, para tentar impedir que autoridades do Alasca certifiquem os resultados das eleições para o Senado caso o republicano Dan Sullivan (Daniel S.

Sullivan), que tenta o terceiro mandato, perca. O DOJ argumenta que a presença de um candidato independente também chamado Dan Sullivan (Daniel J.

Sullivan) é proposital para enganar os eleitores. Dan J.

Sullivan, um professor aposentado, e a campanha da democrata que ameaça o republicano, Mary Peltola, negam. Mas reportagem publicada ontem pelo The New York Times jogou lenha na fogueira.

Segundo o jornal, houve esforços coordenado dos democratas para encontrar outro Dan Sullivan disposto a concorrer. Trump comemorou a reportagem.

“Mary Peltola deve sofrer as consequências legais e políticas pelo que fez”, afirmou. Outra reportagem do Times já tinha apontado tumultos na campanha de Peltola, com ex-assessores relatando explosões de raiva e palavrões por parte da democrata.

Trump disse ter instruído pessoalmente o DOJ a entrar com a ação. O sistema de votação no Alasca, “por ordem de preferência”, é diferente da maioria dos estados americanos.

Não há primárias em cada um dos dois grandes partidos que, depois, levam dois nomes às cédulas. As primárias no Alasca são abertas para todos, e os quatro candidatos com melhor desempenho avançam para o dia do pleito.

Além dos dois Sullivans e de Peltola, o republicano Gerald Heikes também concorre. Peltola e o comitê de campanha democrata para o Senado apresentaram uma moção judicial para barrar a ordem de Trump ao DOJ.

A Divisão Eleitoral do Alasca já tinha removido Dan J. Sullivan da cédula das primárias, mas a Suprema Corte do Alasca mandou retornar.

Em um comício no Estado este mês, após oito horas de viagem para mobilizar a base, Trump classificou o sistema de votação por ordem de preferência como propício a “fraudes descaradas”. Trump ganhou no Alasca nas três vezes em que se candidatou.

O republicano Dan S. Sullivan foi eleito pela primeira vez para o Senado do Alascas em 2014.

Antes, de 2009 a 2010, chegou a ser procurador-geral do Estado. Já Peltola foi deputada de 2022 a 2025.

Ela era pescadora comercial de salmão, o que aparece em seu lema “peixe, família e liberdade”. Na sexta-feira, Peltola classificou a ação do DOJ como “pura corrupção”.

Mesmo a outra senadora republicana do Alasca cuja cadeira não está em disputa, Lisa Murkowski, criticou o processo. Peltola disse que a batalha judicial era “mais uma manobra para desviar a atenção do assunto que os moradores do Alasca querem discutir, o custo de vida”.

O debate é especialmente importante no Alasca, onde muitos alimentos precisam ser importados, observa Teresa Holt, diretora estadual da Associação Americana de Pessoas Aposentadas no Alasca. Os custos com combustível também são uma grande preocupação e, em muitas comunidades, os moradores enfrentam desafios adicionais relacionados aos custos de aquecimento, aponta.

O preço médio do diesel se aproxima de US$ 7 por galão no Alasca.

Publicação Original Globo valor.globo.com
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