O atropelamento de um mexicano por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) ganhou um novo capítulo na semana passada. O trabalhador da construção civil Miguel Parra Hernández, de 48 anos, foi atingido por um carro descaracterizado dirigido por Mario Alberto Morales, em 10 de outubro, no Condado de Harris, no Texas.
Investigações apontaram que o caso foi intencional, uma vez que o agente teria confundido Hernández com um homem procurado — que depois foi confirmado que o alvo está morto há mais de 9 anos. 'Estamos sem tempo': Áudio registra desespero de piloto antes de queda de avião que matou nove pessoas na Flórida
Ainda sem solução: Irã propõe reabrir Ormuz em dois dias se EUA aceitarem suas demandas A novidade sobre o caso é a acusação do agente do ICE Morales, feita ór um júri do Texas, na última sexta-feira (30), por agressão agravada com arma letal.
Entre as provas apresentadas pela defesa de Hernández estão imagens feitas com a câmera corporal do agente e uma gravação da ligação para o 911. Uma câmera de segurança no local do atropelamento mostra a ação.
Veja abaixo: — As provas que temos neste caso são tão claras quanto em qualquer outro caso que já processei ou investiguei — declarou o promotor Sean Teare, segundo a agência AP.
Imagens da câmera de segurança mostram Hernández e outra pessoa saindo de uma caminhonete branca e correndo numa área de estacionamento. Um SUV escuro os persegue.
O veículo segue na direção do mexicano e o atinge. Não é possível ver a colisão porque outro veículo está no ângulo de gravação.
O SUV percorre mais alguns metros, e quando o outro carro deixa a cena, é possível ver o homem caído no chão. O SUV não estava caracterizado com marcas oficiais.
Durante a perseguição, Mario Alberto Morales, de 33 anos, atingiu o trabalhador mexicano e passou por cima dele. Hernández quebrou uma das pernas e teve que passar por mais de uma cirurgia.
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No vídeo, Hernández aparece correndo com outro homem, e na imagem é possível vê-lo se desvencilhando da perseguição ao fugir em outra direção. De acordo com informações da imprensa local, o agente teria confundido o mexicano com José Mendoza Cervantes, que seria o verdadeiro alvo, mas, segundo sua família, o homem morreu em 2017.
Não se sabe se havia alguma acusação contra ele que o levasse a ser alvo do ICE. O advogado de Morales, David Lindenmuth, disse que o agente não cometeu nenhum crime, assegurando que ele "não atacou intencionalmente Parra Hernández".
— O Sr. Morales é um homem verdadeiramente bom, um ex-membro das nossas forças armadas que dedicou toda a sua vida ao serviço público, seja ao seu país, na área policial ou relacionado a ele — disse Lindenmuth à AP.
No momento em que as acusações foram apresentadas, Morales não estava sob custódia. Após a decisão, um mandado de prisão será emitido contra ele, segundo o promotor Teare.
A defesa de Miguel Parra afirmou que ele vive no Condado de Harris, Texas, há mais de 30 anos. Além disso, esclareceu que o mexicano não possui nenhuma ordem de deportação ou antecedentes criminais.
O Globo