Aquecimento de +1,5ºC causará danos "irreversíveis" em geleiras e banquisas

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Fonte da notícia: Folha de Pernambuco Folha de Pernambuco

Superar 1,5ºC de aquecimento do planeta terá consequências "irreversíveis" para as geleiras, o gelo marinho (banquisas) e as superfícies congeladas da Terra, afirmam dois relatórios da ONU publicados nesta segunda-feira (2). O Acordo de Paris de 2015 estabeleceu como objetivo mais ambicioso limitar o aumento das temperaturas a 1,5ºC em relação à era pré-industrial, mas a ONU e muitos especialistas já consideram inevitável ultrapassá-lo.

@@NOTICIAS_RELACIONADAS@@ Isso provocará consequências "importantes e muitas vezes irreversíveis" nas "regiões do planeta caracterizadas pela presença de neve, gelo e solos congelados", aponta um dos relatórios.

As repercussões serão múltiplas: o derretimento de geleiras e do gelo marinho, o descongelamento do permafrost e o aumento acelerado do nível do mar. Isso elevará os riscos de inundações, danos econômicos e ecológicos, além de escassez de água.

- Cada ano conta - Alguns impactos já são visíveis, como o desaparecimento de 20% da massa glacial na Suíça, indica o relatório.

E embora o objetivo de +1,5ºC seja pertinente, ele é "alto demais" para a criosfera, onde a água se encontra em estado sólido. Para essas zonas, a "temperatura de segurança" situa-se em torno de 1ºC ou menos.

Atualmente, o aquecimento está em 1,37ºC. Segundo a rede europeia Copernicus, o limite de 1,5ºC pode ser ultrapassado definitivamente por volta de 2030.

O autor principal de um dos relatórios, James Kirkham, reivindica que se volte a colocar o aquecimento abaixo desse limite "o quanto antes" para limitar "os danos relacionados à perda de gelo nas regiões polares e montanhosas do planeta". - "Décadas, até séculos" -

Persistem "raios de esperança": algumas geleiras poderiam se reconstituir parcialmente se o aquecimento global voltasse rapidamente a ficar abaixo de 1,5ºC, ou de 1ºC. O gelo marinho do Ártico também poderia se beneficiar.

Mas o tempo necessário para a reconstituição é muito maior do que o do declínio. "Pode levar décadas, até séculos", afirmou Matthew England, oceanógrafo e meteorologista na Universidade de Nova Gales do Sul.

- Objetivos "ainda mais urgentes" - O segundo relatório se concentra nas consequências de um aquecimento que, no próximo século, alcance 2,8ºC.

O cenário aparentemente catastrófico não é tão improvável: segundo um relatório recente da ONU, o aumento das temperaturas em 2100 chegaria a 2,6ºC mesmo que as atuais promessas climáticas sejam cumpridas. Com 2,8ºC de aquecimento, o nível do mar poderia subir até 5 cm por ano até 2150, frente a 0,45 cm atualmente.

Além disso, o derretimento do permafrost poderia liberar a cada ano tanto CO2 quanto o emitido atualmente pelos Estados Unidos, o segundo maior poluidor mundial. Por isso, Kirkham defende que ultrapassar o limite de 1,5ºC "não significa que os objetivos do Acordo de Paris tenham perdido o sentido".

"Ao contrário, torna-os ainda mais urgentes", ressalta.  

Publicação Original Folha de Pernambuco folhape.com.br
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