A agência de classificação de risco Fitch Ratings prevê aperto fiscal e crescimento de apenas 1,4% do PIB em 2027, independentemente de quem vencer a eleição presidencial. O relatório saiu na quarta-feira (21), com a projeção de desaceleração da economia brasileira sob juros reais altos, quatro dias antes do segundo turno marcado para o domingo (25).
No papel da Fitch, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) herdam o mesmo cenário. Depois de uma expansão média de 3% ao ano entre 2022 e 2025, a economia brasileira deve avançar 1,9% em 2026 e 1,4% em 2027, com juros elevados e desequilíbrio fiscal limitando a ação de quem assumir o poder.
“Independentemente de quem vencer o segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro, esperamos um aperto da política fiscal no próximo ano”, afirma o relatório. “Isso pesará sobre a atividade econômica.”
Na leitura da agência, o documento antecipa o rumo da política fiscal e das restrições monetárias descritas pela Fitch para o próximo presidente, antes de o eleitor ir às urnas. A Fitch integra, com Moody’s e S&P, o trio que domina a avaliação de risco global, e sua nota pesa no custo de captação externa do país.
Déficit acima de 8% do PIB trava o próximo governo A agência destaca que o déficit das contas públicas supera 8% do PIB e que a dívida já ultrapassou 80% do tamanho da economia.
No diagnóstico, o vencedor do pleito encontrará pouco espaço para estimular a atividade pelo gasto público. Os números do setor público são reais e, no diagnóstico da agência, amarrariam qualquer governo.
A resposta projetada, aperto fiscal, já foi sinalizada publicamente antes de o voto ser contado. Selic deve terminar 2026 em 13,50%
A agência projeta que a Selic recue dos atuais 13,75% para 13,50% no fim de 2026 e chegue a 11,75% ao final de 2027. Na avaliação da agência, o Banco Central manterá a política monetária restritiva, em patamar que contém consumo e investimento.
“As autoridades continuam preocupadas com as expectativas de inflação, que permanecem acima da meta de 3%”, diz a Fitch. A inflação de serviços, apontada pelo documento como estacionada em 6% há um ano, fecha espaço para um alívio maior dos juros.
O relatório cruza as duas frentes. Um aperto fiscal maior abriria caminho para a queda dos juros de longo prazo, e quem cortar mais ganha alívio monetário mais cedo.
Crédito caro e emprego perdendo força Os juros elevados aparecem no levantamento como um dos principais freios à atividade.
Com taxas reais muito acima dos padrões históricos há vários anos, o financiamento encareceu para empresas e famílias. O comprometimento da renda do setor privado com pagamento de dívidas chegou ao maior nível em mais de duas décadas.
O crédito desacelerou, sobretudo no segmento empresarial. “A proporção de empréstimos inadimplentes aumentou acentuadamente no último ano”, afirma a agência.
Parte do movimento reflete mudanças contábeis, mas o documento identifica também deterioração efetiva na capacidade de pagamento dos tomadores. No mercado de trabalho, a criação de vagas perdeu velocidade, ainda que os salários sigam em alta.
Segundo a agência, o avanço mais lento da ocupação pesa sobre a renda disponível e o consumo das famílias. O desemprego próximo da mínima histórica é o trecho mais favorável do próprio relatório.
No restante, consumo privado e investimento lideram a desaceleração projetada, enquanto exportações e consumo do governo resistem. O voto de domingo decidirá o nome que chega ao Planalto em 1º de janeiro.
Pelo que a Fitch escreveu antes da votação, pouco mudaria, na leitura da agência, o que esse nome poderá fazer no plano fiscal, dado o quadro descrito pela Fitch.
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