Os advogados de pelo menos 18 pessoas feridas durante os protestos sociais e estudantis que abalam a França desde meados de setembro anunciaram, nesta sexta-feira (6), que apresentarão uma denúncia contra o ministro do Interior, Laurent Nuñez, pelas "mutilações" de manifestantes.
O governo do presidente de centro-direita, Emmanuel Macron, encontra-se sob pressão para evitar os distúrbios e saques registrados em 17 de outubro, mas também devido à resposta policial que resultou em ferimentos graves em manifestantes. A AFP contabilizou quase 20 feridos graves, com lesões que vão desde mãos arrancadas e fraturas na mandíbula até a perda de um olho, causadas por LBDs (lançadores de balas de defesa) ou pelo disparo de granadas desde meados de setembro.
"Hoje, consideramos imperativo apontar o responsável por essas mutilações e por esses danos graves: o ministro do Interior, Laurent Nuñez", declarou o advogado Arié Alimi, ao anunciar a futura denúncia perante a Corte de Justiça da República. @@NOTICIAS_RELACIONADAS@@
A denúncia, que será apresentada dentro de "três semanas", concentra-se nas "ordens que ele deu sobre o uso dessas armas, que ele sabe que mutilam, que ele sabe serem armas de guerra e que ele sabe que não devem ser utilizadas em operações de manutenção da ordem", acrescentou o advogado em uma coletiva de imprensa em Paris.
A Corte de Justiça da República, composta por três magistrados da Corte de Cassação e doze parlamentares de todas as tendências políticas, é a única jurisdição competente na França para julgar membros do governo no exercício de suas funções. Segundo um levantamento realizado até 30 de outubro, a polícia abriu 105 investigações internas, 52 no contexto dos protestos estudantis, 48 referentes à atuação de seus agentes nos dias 17 e 18 de outubro, e cinco relacionadas a episódios ocorridos em 24 de outubro, de acordo com uma fonte próxima ao caso.
Folha de Pernambuco