Adeus, tons neutros? Azul intenso ganha espaço na decoração

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Depois de um período em que bege, areia e off-white dominaram muitos projetos de interiores, tonalidades mais intensas começam a ganhar espaço nas propostas de decoração. Entre elas está o Luminous Blue, azul vibrante e profundo apontado pela WGSN, em parceria com a Coloro, como uma das cores de destaque para 2027.

A escolha acompanha o interesse por ambientes com mais personalidade, mas também levanta uma dúvida prática: como incorporar um tom tão marcante sem comprometer o equilíbrio dos espaços? Parece vestido de alta-costura, mas é bolo: conheça a tendência

Para o arquiteto Tiago Quadros, a valorização de cores expressivas está relacionada a uma mudança na maneira como as pessoas pensam a própria casa. A decoração deixa de se apoiar apenas em referências estéticas e passa a refletir também gostos, experiências e formas de viver.

Nesse contexto, a cor pode alterar a percepção de um ambiente, interferindo na leitura de volumes, profundidades e materiais. "O Luminous Blue representa muito mais do que a escolha de uma cor vibrante para 2027.

É uma tonalidade que estabelece um diálogo interessante entre tecnologia, natureza, memória e expressão individual. Na arquitetura, gosto de pensar a cor como um elemento capaz de modificar a leitura de um espaço.

Ela não atua apenas na estética, mas também na maneira como percebemos volumes, profundidades, proporções e materiais", explica. Office em preto e branco ganha alegria com cores que rompem a sobriedade do ambiente.

Divulgação Como incorporar o azul sem exagerar?

Não é preciso pintar todas as paredes ou fazer uma reforma para experimentar a tonalidade. Uma poltrona, almofadas, luminárias, vasos e obras de arte são algumas das possibilidades para introduzir o azul aos poucos.

Outra alternativa é renovar uma peça de mobiliário ou pintar o fundo de uma estante, criando um ponto de destaque sem alterar todo o ambiente. "Para quem deseja aderir à tendência sem reformar a casa, eu recomendaria começar por uma poltrona, almofadas, uma luminária, um vaso ou uma composição de quadros.

Também é possível trocar o revestimento de uma peça de mobiliário ou pintar o fundo de uma estante. São intervenções relativamente simples, mas capazes de transformar a percepção do ambiente", orienta.

Para quem prefere uma composição mais ousada, a tonalidade pode aparecer em marcenarias, paredes inteiras e até no teto. O acabamento também interfere no resultado.

Superfícies brilhantes tendem a destacar os reflexos e a intensidade do azul, enquanto as foscas produzem uma aparência mais uniforme. Ambiente acolhedor valoriza encontros e momentos compartilhados entre família e amigos

Divulgação Quais cores combinam com o Luminous Blue?

A intensidade do azul permite diferentes combinações. Branco, off-white, bege e cinza-claro ajudam a criar uma base neutra, enquanto materiais como madeira natural acrescentam aconchego.

Tons de carvalho, freijó e nogueira são algumas das opções que podem equilibrar a presença da cor. Já quem prefere contrastes pode aproximá-la de nuances quentes, como terracota, caramelo, areia e fendi.

A mistura entre tons frios e quentes cria uma composição menos previsível, sem necessariamente deixar o espaço visualmente carregado. "Uma das formas mais elegantes de trabalhá-lo é aproximá-lo de materiais naturais e cores que tragam equilíbrio à sua presença.

Minha recomendação é evitar a combinação de muitas cores intensas sem uma lógica compositiva. Podemos usar contrastes fortes, mas é importante que exista uma cor dominante, outras de apoio e materiais que façam a transição entre elas", destaca.

Cobertura na Barra reúne as preferências de cada moradora em uma composição de cores que traduz a personalidade alegre da família Divulgação

Da sala ao quarto, onde usar a tonalidade? Na sala de estar, o azul pode aparecer em um sofá, uma poltrona ou uma obra de arte.

Na cozinha, armários nessa cor podem formar uma composição com bancadas de pedra clara e metais escovados. Em banheiros, a tonalidade também pode surgir em revestimentos, cubas e detalhes de marcenaria.

Nos quartos, a recomendação é avaliar a intensidade da aplicação. Para quem prefere um ambiente mais tranquilo, cabeceiras, roupas de cama e objetos decorativos permitem experimentar a cor sem fazer dela o elemento dominante.

A iluminação é outro fator importante. A luz natural pode realçar a vivacidade do azul, enquanto ambientes menos iluminados tendem a evidenciar sua profundidade.

Antes de escolher uma parede ou um móvel para receber a tonalidade, vale observar amostras em diferentes horários do dia, já que a percepção da cor muda conforme a incidência de luz. Azul vibrante é aposta para 2027; veja como usar sem exagerar

Divulgação Como evitar que a tendência pese no ambiente?

Um dos erros é escolher uma tonalidade apenas porque ela está em evidência, sem considerar os móveis, os materiais e as preferências de quem vive no espaço. Fotografias de referência também precisam ser observadas com cuidado, pois a iluminação e os acabamentos podem produzir resultados diferentes daqueles percebidos em casa.

"Também considero importante separar tendência de identidade. A cor do ano é uma referência de comportamento e de mercado, não uma obrigação para quem está construindo ou reformando.

O projeto deve refletir a personalidade do morador, sua rotina e a maneira como ele deseja viver aquele espaço", ressalta Tiago. Para quem tem receio de enjoar, uma possibilidade é preservar uma base mais neutra e reservar o azul para elementos que possam ser substituídos com facilidade.

Dessa forma, a decoração acompanha as preferências de cada morador sem depender de uma única tendência. "A atemporalidade não significa ausência de cor, mas capacidade de criar uma composição que continue relevante com o passar do tempo.

O melhor projeto não é aquele que reproduz uma tendência, mas aquele que sabe interpretá-la e transformá-la em arquitetura", finaliza.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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