Congressistas podem deflagrar investigações contra o presidente, mas o Executivo concentra a agenda externa, diz o professor da Universidade de Denver O resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos enfraquece Donald Trump (Partido Republicano), mas o presidente pode se tornar ainda mais errático em sua agenda externa por estar acuado, avalia Rafael Ioris, professor de História e Política da Universidade de Denver, no Colorado.
O Partido Democrata deflagrou uma “onda azul” e conquistou o comando da Câmara dos Representantes e do Senado, concretizando uma derrota histórica para o presidente. “Um Trump acuado não garante um Trump mais dócil”, afirmou Ioris a CartaCapital.
“Ele pode pode continuar a dar trabalho para governos na América Latina e para o multilateralismo.” Outro fator a sustentar os riscos para a região, enfatiza Ioris, é Marco Rubio, que tende a manter sua dupla função de secretário de Estado e conselheiro de segurança nacional.
“É um ministro muito ideológico, com uma visão hegemônica em relação à América Latina. Não imagino que haverá mudanças tão fundamentais.”
Ao mesmo tempo, pondera o professor, os democratas no Congresso devem abrir investigações sensíveis contra Trump, a exemplo de apurações sobre o caso Jeffrey Epstein e a guerra no Irã. Os congressistas também poderão cortar o orçamento do governo para guerras, mas grande parte da política externa segue nas mãos do Executivo.
“Ainda tem muito espaço para Trump manter a sua política externa mais agressiva, especialmente na América Latina”, completou Rafael Ioris. Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu.
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