O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, comemorou nesta quarta-feira a derrota dos republicanos e de Donald Trump nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, comparando o resultado eleitoral à vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no Brasil.
"Aconteceu no Brasil. Acaba de ocorrer nos Estados Unidos.
E ocorrerá em breve na Espanha. A onda de extrema direita na qual [Alberto Núñez] Feijóo e [Santiago] Abascal pretendem embarcar já não cresce: está desmoronando", escreveu o premiê em uma postagem nas redes sociais.
Na mensagem, Sánchez se refere aos líderes do Partido Popular (PP), principal legenda da direita conservadora da Espanha, e do Vox, o maior grupo de extrema direita do país. Os dois partidos enfrentam o premiê, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que tenta se reeleger em um disputado pleito marcado para o dia 29 de novembro.
"Ontem, a sociedade americana votou contra as políticas que só empobrecem. Contra o ódio.
Contra o machismo. Contra o negacionismo climático e contra os privilégios das elites", acrescentou Sánchez, reforçando algumas das pautas defendidas por sua campanha.
Nas eleições de meio de mandato ontem, os democratas impuseram uma derrota histórica a Trump e aos republicanos, conquistando por ampla vantagem as maiorias no Senado e na Câmara dos Deputados. Sánchez se tornou um dos principais desafetos do presidente americano desde seu retorno à Casa Branca pela resistência do premiê espanhol à pressão de Trump para elevar os gastos em defesa do país, um dos membros da Otan, a aliança militar ocidental, e também pela recusa em permitir que bases na Espanha fossem usadas em ataques americanos ao Irã.
Trump chegou a ameaçar romper as relações comerciais com a Espanha em razão das desavenças com Sánchez, mas a medida não se concretizou, embora as relações entre os dois países sigam deterioradas. Esta também não foi a primeira vez que o premiê espanhol cita a vitória de Lula como um marco no combate à onda de extrema direita global.
Sánchez tem se inspirado na mobilização da campanha do petista, organizada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), para tentar se reeleger no país. Janones, inclusive, foi convidado a participar da campanha de Sánchez e replicar o "Exército de Lula" entre os apoiadores do premiê socialista.
Em entrevista recente, o deputado expressou desejo de contribuir em eleições em outros países. "Tenho um desejo gigante de contribuir em todos os lugares que tiver voz no mundo para ficar livre da extrema direita", disse Janones.
Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha Yves Herman/Reuters
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