Abandono de animais: Petlove chama vilões e acerta no Metrô de SP

Abandono de animais: Petlove chama vilões e acerta no Metrô de SP - Foto
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Com estética inspirada nos desenhos dos anos 1980 e 1990, série da Petlove transforma vilões em defensores dos animaisFoto: Frame/Campanha Petlove Quem pegou o metrô em São Paulo na véspera do Halloween pode ter ouvido um aviso diferente nos alto-falantes. No comando do trem, uma bruxa com seu gato.

A cena abre a campanha "Nem os maiores vilões abandonam seus pets", da Petlove, primeira parceria do Metrô de São Paulo com uma empresa do setor pet e coloca o abandono de animais no trajeto de milhões de passageiros.Há duas semanas, a coluna mostrou a Petlove dando um final feliz à história do pedreiro enganado por uma namorada de IA.

Agora, a marca muda de escala. Sai o caso viral e entra um plano de dois anos com um dos maiores sistemas de transporte do país.Por que o abandono de animais chegou ao MetrôA escolha do lugar não é só estratégia de mídia.

O próprio Metrô sente o problema na operação. Um animal perdido nas estações ou nos trilhos corre risco de atropelamento e desidratação.

Além disso, o resgate pode paralisar trens e afetar o deslocamento de muita gente."Milhões de pessoas circulam diariamente pelas estações do Metrô, o que torna esse ambiente estratégico para ampliar a conscientização sobre o abandono de animais", afirma Bruno Junqueira, vice-presidente de Pessoas, ESG e Comunicação Institucional da Petlove.Em outras palavras, a causa e o lugar se encontram.

A campanha fala de um problema que acontece justamente ali.Vilões que não abandonamA ideia criativa, da Unboring Company, é simples e inteligente. Bruxas, vampiros e monstros, personagens que sempre representaram o mal, viram defensores dos animais.

Se nem eles teriam coragem de abandonar um pet, quem tem?É uma inversão que foge do caminho mais comum nas campanhas de causa animal: fotos tristes, olhares abandonados e apelo à culpa. Aqui, o humor faz o trabalho de chamar atenção e a reflexão vem depois.A série animada, produzida pela Never Boring Productions, resgata a estética dos desenhos dos anos 1980 e 1990, como He-Man e Thundercats.

Segundo a marca, o público que mais se engaja com a causa animal é o de mulheres acima de 35 anos, justamente a geração que cresceu com esses desenhos. Para completar, um dos episódios tem narração de Myra Ruiz, que há mais de 10 anos interpreta a bruxa Elphaba na montagem brasileira do musical "Wicked".Muito além do HalloweenO que separa esta campanha de tantas outras é o fôlego.

O Halloween serviu de gancho, mas a parceria dura 24 meses e já tem calendário: novos episódios na segunda quinzena de novembro, histórias ligadas ao Natal, às férias e ao Dezembro Verde, mês de conscientização contra o abandono, além de uma nova campanha em fevereiro.Mais importante ainda é o que acontece fora das telas.

O acordo prevê treinamento das equipes do Metrô para conter e resgatar animais com segurança, feiras de adoção, campanhas de vacinação e distribuição de gibis com os personagens.Causas não se resolvem com uma peça bonita. Elas precisam de constância e de ações que o público consiga ver.

Aqui, as duas coisas estão no plano.E o plano de saúde?Há, claro, um interesse comercial no meio. A Petlove vende planos de saúde para pets e o próprio material da campanha lembra que uma das causas de abandono é a falta de dinheiro para pagar tratamentos inesperados.A conexão é legítima.

Faz sentido que uma empresa de saúde animal fale de prevenção e cuidado contínuo. O risco seria a causa virar apenas uma vitrine para o produto.Por enquanto, o equilíbrio parece bem resolvido.

As ações práticas, como resgate, adoção e vacinação, pesam mais do que a venda. É isso que vai sustentar a credibilidade da parceria nos próximos dois anos.A leveza que não esconde a seriedadeA campanha é divertida, mas não é ingênua.

O material lembra que abandonar um animal é crime de maus-tratos, com pena de reclusão de dois a cinco anos para casos envolvendo cães e gatos, segundo a Lei Sansão, de 2020. Também destaca que o Metrô tem mais de 5 mil câmeras de segurança, cujas imagens podem ser usadas para identificar os responsáveis.É uma combinação rara.

O humor atrai, a informação educa e o recado sobre a lei mostra que a brincadeira tem limite.O que fica para quem trabalha com marcaA primeira lição é que marketing de causa ganha força quando escolhe o lugar certo. Levar a discussão para espaços nos quais o problema acontece transforma a campanha em serviço e não apenas em mensagem.A segunda é que propósito se mede em tempo.

Uma ação no Halloween seria lembrada por alguns dias. Um plano de dois anos, com resgate, adoção e vacinação, pode mudar comportamentos.A Petlove escalou os maiores vilões das histórias para dar um recado simples.

No fim, a mensagem mais assustadora da campanha não está nos monstros, está na realidade que eles ajudam a mostrar.

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