A melhor amiga de Nathalia Gadelha Filgueiras, a copilota brasileira do Learjet 60 que caiu no último domingo (1/11) no condado de Palm Beach (Flórida, EUA), matando todas as nove pessoas a bordo, pronunciou-se pela primeira vez após a tragédia. Mikaela Schluth, amiga de longa data que conhecia a jovem de 20 anos desde o ensino fundamental, declarou à CBS News ter sido "insuportável" ouviu a última comunicação entre Nathalia e um controlador de voo.
"Foi, sem dúvida, a pior coisa que já ouvi", afirmou Mikaela. "Ela conseguiu manter a calma e transmitir informações até o último minuto", emendou a amiga.
As gravações aterrorizantes registram o momento em que a jovem copiloto percebeu que a aeronave estava perdendo o controle rapidamente. Controladores de tráfego aéreo em Miami haviam alertado os pilotos, anteriormente, sobre condições meteorológicas adversas, autorizando-os a desviar para a esquerda ou para a direita a fim de evitar áreas de precipitação.
Queda de Learjet na Flórida Reprodução
Os controladores descreveram as condições como "bastante severas", com relatos de precipitação moderada e turbulência à medida que o jato se aproximava da região. Mas a situação tornou-se catastrófica rapidamente.
Na gravação, é possível ouvir Nathalia relatando que a aeronave estava descendo a uma velocidade alarmante. "Sete dois dois bravo delta, estamos descendo 8 mil… mayday, mayday… estamos descendo a 10 mil pés por minuto", disse ela aos controladores.
Momentos depois, sua voz tornou-se cada vez mais desesperada ao declarar uma emergência. Áudio registra desespero de piloto antes de queda de avião que matou 9 na Flórida
"Declarando emergência, declarando emergência. Estamos em uma condição de excesso de velocidade", afirmou a brasileira, que também tinha cidadania americana.
Em seguida, ela relatou que a aeronave estava despencando ainda mais rapidamente: "Descendo a 20 mil pés por minuto… Vamos colidir com o solo!"
'Acabou o nosso tempo!' Um controlador de tráfego aéreo tentou, desesperadamente, tranquilizá-la, respondendo:
"Estou aqui com você, fale comigo." Mas a situação continuou a se deteriorar de forma incontornável.
"Estamos descendo a 22 mil pés e estamos inclinados a 60 graus", alertou Nathalia. Sua última transmissão foi um grito desesperado:
"Acabou o nosso tempo!" O áudio levantou novas questões sobre o que aconteceu a bordo da aeronave nos momentos que antecederam o impacto.
Investigadores estão analisando se os pilotos compreenderam plenamente a gravidade da tempestade à qual se aproximavam e se as condições meteorológicas extremas desempenharam um papel no desastre. Segundo a CBS News, dados meteorológicos sugerem que o Learjet entrou em uma célula de tempestade que se intensificava rapidamente, pouco antes de a tripulação relatar a formação de gelo e turbulência significativa.
Dez minutos antes da tragédia, Nathalia mandou mensagem de texto ao namorado, fazendo um alerta. A brasileira Nathalia Gadelha Filgueiras costumava voar com o namorado
Reprodução "Ela simplesmente disse: 'Estou enfrentando turbulência, estou enfrentando gelo'", contou seu padrasto, Thiago Corteleti, de 44 anos, ao "New York Post".
Ela enviou a mensagem ao namorado, Justin, às 12h40, e o acidente ocorreu às 12h50", acrescentou ele. Especialistas também estão verificando se o estabilizador horizontal da aeronave pode ter se desprendido.
Uma falha desse tipo poderia deixar a aeronave praticamente incontrolável. A jovem aviadora, que tinha 20 anos e já acumulava cerca de 1.300 horas de voo, costumava voar ao lado do namorado e compartilhava fotos e vídeos de suas viagens juntos.
No entanto, o voo de domingo terminou em tragédia quando o Learjet 60 perdeu o controle e caiu em uma área residencial, transformando-se em uma enorme bola de fogo. A aeronave havia decolado de Austin (Texas), naquela manhã, com destino a North Eleuthera (Bahamas), transportando dois pilotos e sete passageiros.
Dados de voo indicaram que o jato despencou cerca de 7.700 metros em apenas 62 segundos antes de colidir contra o solo. Os mortos
Além de Nathalia e do piloto da aeronave, Jeffrey Gregory, que tinha 55 anos, morreram na tragédia o magnata do setor de tecnologia Adam Robinson, de 45 anos, a esposa, Helen Sharp, de 40 anos, e os dois filhos do casal: Emma, de 4 anos, e Charlie, de 2. Também foram vítimas Rachael Reed e Charmi Fehr, amigos de Adam e Helen, e uma babá, identificada como Anita Maria Cetina.
Mortos em tragédia aérea na Flórida: Adam Robinson, de 45 anos, a esposa, Helen Sharp, de 40, e os seus dois filhos, Emma, de 4, e Charlie, de 2 Reprodução
Fragmentos do profundor esquerdo da aeronave, componente localizado na cauda e responsável por controlar a inclinação do avião para cima e para baixo, foram encontrados a distâncias entre 2 km e 6,1 km do local da queda. A descoberta foi anunciada nesta terça-feira por Tom Chapman, porta-voz do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos EUA (NTSB, na sigla em inglês).
"Isso nos indica que, pelo menos, alguns componentes, algumas partes da aeronave, partes importantes da aeronave, desprenderam-se antes do impacto", declarou Chapman.
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