A corrida de 2028 começou na noite das midterms: Vance culpa a guerra, Rubio entra na mira e os democratas disputam quem venceu

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

A corrida de 2028 já começou: Vance culpa a guerra pela derrota, os democratas disputam quem venceu e 45% do eleitorado do partido ainda não escolheu nome. Entenda o tabuleiro.

Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria. Em 2022, Donald Trump anunciou sua candidatura uma semana depois das midterms.

Em 2026, ninguém declarou nada, mas a largada foi dada. Trump não pode concorrer de novo (a Constituição proíbe, embora ele tenha dito em fevereiro “não sei” quando perguntado se estaria na Casa Branca em janeiro de 2029).

Os dois partidos vão escolher herdeiros, e a eleição de terça mexeu nos dois lados. O vice-presidente JD Vance foi o primeiro a falar.

Nas redes sociais, escreveu que “a razão pela qual perdemos é a guerra” e que muita gente que votou em Trump e Vance em 2024 votou nos democratas agora. Donald Trump Jr.

concordou. Analistas da CNN leram a frase como o primeiro movimento de Vance para 2028.

A pergunta que fizeram é se alguém ligado à guerra com o Irã, o que inclui o secretário de Estado, Marco Rubio, conseguirá explicá-la na campanha. Dentro do partido, a reação à derrota foi de raiva dirigida ao presidente, segundo a Reuters.

Um aliado da Casa Branca falou em “tempestade perfeita” (guerra, tarifas e a repressão à imigração), e aliados de Trump dizem que é injusto culpá-lo. Vários republicanos já olham para 2028: “Vance, Rubio ou Ted Cruz, o banco é grande”, disse um integrante do comitê nacional do partido.

Os números mostram Vance na frente. Numa pesquisa do New York Times com a Siena, ele tem 33% entre eleitores republicanos, contra 23% de Rubio, com 26% indecisos.

Numa do Financial Times, 38% a 24%. Trump chamou uma chapa Vance-Rubio de “dream team” e ainda não escolheu.

Rubio disse que “não tem planos neste momento” e, segundo a NBC, avalia reservadamente que o cenário de 2028 pode ser difícil e 2032 ou 2036 mais promissor, o que é uma fonte anônima. O dilema de Vance é claro, e a leitura é minha: precisa da base de Trump, mas não da guerra de Trump.

Os democratas saíram da eleição com vários nomes fortalecidos. O senador Jon Ossoff venceu na Geórgia por cerca de 59% a 41%.

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, viu o mapa que ele aprovou nas urnas render cadeiras ao partido. A deputada Alexandria Ocasio-Cortez, que fez campanha por Abdul El-Sayed em Michigan, comemorou a vitória dele.

Pete Buttigieg fez uma turnê por sete estados. O governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, foi reeleito com cerca de 60% dos votos contra 38% da republicana Stacy Garrity, e o de Illinois, JB Pritzker, ganhou novo mandato.

Andy Beshear, presidente da associação dos governadores democratas, ajudou nas viradas em Geórgia, Ohio, Iowa e Texas. Mas o campo segue aberto.

Kamala Harris lidera as pesquisas, e as faixas variam muito: de 12% no levantamento do New York Times e da Siena a 30% no do Financial Times, com Newsom, Buttigieg e Ocasio-Cortez na casa dos 6% a 15%. No levantamento do Times, 45% dos eleitores democratas não sabem em quem votar.

Harris disse em 14 de outubro que ainda não decidiu se concorre, e Newsom disse que não concorreria se ela concorrer. O partido também discute quem venceu.

O texano James Talarico ganhou concorrendo como moderado, e o progressista Abdul El-Sayed, primeiro muçulmano eleito para o Senado e crítico da ajuda militar a Israel, ganhou em Michigan apesar de resistências internas. Cada ala reivindicará a vitória.

“Esta vitória não é sobre democratas ou republicanos”, disse Talarico em seu discurso. E há um alerta nos números: pesquisa da Pew de outubro mostra 40% de opinião favorável aos democratas e 37% aos republicanos, ou seja, o eleitor rejeitou Trump sem aderir de fato ao outro lado.

O Comitê Nacional Democrata aprovou em agosto o calendário das primárias: Carolina do Sul em 22 de janeiro de 2028, Nevada em 1º de fevereiro, New Hampshire em 8, Novo México em 15, Michigan em 22 e Virgínia em 29, antes da Superterça, em 7 de março. Iowa ficou de fora, e New Hampshire, que por lei quer ser a primeira, é uma fonte de conflito.

A mudança favorece candidatos com voto negro e latino, e por isso dá vantagem a nomes como Harris e Shapiro na leitura de analistas (minha leitura). No mapa, os democratas viraram Texas, Geórgia, Ohio, Iowa, Carolina do Norte, Kansas e Carolina do Sul em alguma disputa.

Isso entusiasma, mas a história pede cautela: Trump venceu no Texas por quase 14 pontos em 2024, e ondas de meio de mandato nem sempre antecipam a eleição presidencial (em 2010, os republicanos tiveram uma onda e Obama foi reeleito em 2012; em 2022, os democratas perderam pouco e Trump voltou em 2024).

A leitura é minha. Há um efeito mais concreto: os democratas passaram a controlar a maioria dos governos estaduais, e os governadores e secretários de Estado administram a eleição de 2028, num momento em que Trump tenta ampliar o controle federal sobre as eleições, como lembrou a AP.

Diplomatas brasileiros já esperavam que a sucessão de Trump largasse depois das midterms. A conta de calendário é simples: o próximo presidente americano toma posse em janeiro de 2029, e o mandato de Lula vai até dezembro de 2030.

O Brasil lidará, portanto, com o vencedor de 2028 por dois anos. A política para a América Latina é comandada hoje por Rubio, que terá de defender, no caminho para 2028, uma guerra impopular.

Convém não apostar num partido. O Senado aprovou, em 2025, uma resolução contra as tarifas ao Brasil com votos de cinco republicanos, e os democratas têm uma tradição protecionista própria.

O que muda com 2028 é o tom, não necessariamente a conta. A lição segue a mesma desta semana: canais com os dois partidos, e menos aposta em uma pessoa só.

A corrida começou, mas dois anos é muito tempo. Duas coisas decidirão boa parte dela: se a guerra com o Irã acaba e a gasolina cai, o que tira de Vance a sua maior conta, e se os democratas escolhem uma bandeira em vez de brigar sobre quem venceu a eleição de ontem.

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