Zelensky acusa EUA de inação após Rússia matar mais de 70 pessoas em dois dias

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Fonte da notícia: Valor Valor

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou os Estados Unidos de não estarem dispostos a ajudar seu país depois que um bombardeio russo matou pelo menos 30 pessoas no leste da Ucrânia nesta quinta-feira, elevando para mais de 70 o número de mortos em ataques russos nos últimos dois dias.

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Rússia lança ataques com mísseis e drones contra a Ucrânia e mata mais de 20 Horas depois de o ataque atingir dois ônibus na cidade de Kramatorsk, palco de intensos combates, Zelensky criticou as iniciativas de Washington para estabelecer relações econômicas com a Rússia enquanto tenta mediar a guerra, que já dura mais de quatro anos.

O ataque da manhã ocorreu um dia depois de uma ofensiva em larga escala com drones e mísseis russos matar dezenas de pessoas em toda a Ucrânia — 22 delas em um prédio residencial na cidade de Pryluky, no centro do país, a cerca de 130 quilômetros a leste de Kiev. Setenta e oito pessoas morreram e outras 215 ficaram feridas em ataques realizados nos últimos dois dias em toda a Ucrânia, afirmou Zelensky.

Em declarações a jornalistas em Pryluky, o líder ucraniano pediu aos EUA que atendam às suas solicitações para ampliar o acesso da Ucrânia ao serviço de satélites Starlink, a fim de ajudar o país a atingir lançadores russos de mísseis balísticos. "Liberem o Starlink para a Ucrânia.

Vocês o liberaram quando estavam respondendo ao Irã... Eu disse isso abertamente: deem-nos acesso, ajudem-nos a defender nossos céus e a conquistar a superioridade aérea.

E então Putin se sentará à mesa de negociações", afirmou o presidente ucraniano, em uma declaração emocionada. Nos últimos meses, a Ucrânia tem tentado recuperar a iniciativa no campo de batalha diante da Rússia, cujos avanços desaceleraram neste ano, mas continua sofrendo com a campanha aérea cada vez mais brutal de Moscou.

"Então, onde está a verdade nisso, onde está a honestidade? Onde está o impasse?... Isso se chama falta de vontade", afirmou, referindo-se à declaração feita mais cedo nesta quinta-feira pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, de que a guerra está em um impasse e de que os EUA continuarão trabalhando para alcançar um acordo.

"Não se pode, por um lado, negociar com os russos sobre futuros projetos econômicos e, por outro, dizer que estamos em algum tipo de... impasse diplomático", acrescentou Zelensky.

Bombeiros trabalham no local de um ataque aéreo russo que atingiu um ônibus na cidade de Kramatorsk, região de Donetsk, Ucrânia Donetsk/Divulgação via REUTERS

Altas autoridades russas e americanas, incluindo o enviado especial dos EUA Jared Kushner, mantiveram conversas sobre a entrada de um investidor americano nos gasodutos Nord Stream, que transportavam gás russo para a Alemanha antes da invasão da Ucrânia por Moscou, informou a Reuters nesta quinta-feira.

Negociadores ucranianos viajarão aos EUA na sexta-feira e no sábado para conversas, acrescentou Zelensky, que pediu ao presidente americano, Donald Trump, que aumente a pressão das sanções sobre a Rússia. O ataque a Kramatorsk foi uma das maiores ofensivas isoladas realizadas pela Rússia neste ano.

Moscou nega atacar civis, mas bombardeia regularmente cidades com mísseis e drones. "Os russos estão atacando deliberadamente civis.

Para eles, um ônibus cheio de passageiros é um alvo atraente justamente porque um único ataque pode matar o maior número possível de pessoas", afirmou o governador regional, Vadym Filashkin, no aplicativo Telegram. Imagens divulgadas por autoridades mostraram corpos espalhados por uma rua coberta de destroços e a carcaça carbonizada de um ônibus.

Alguns corpos ainda não haviam sido identificados, afirmou Zelensky, acrescentando que o ataque não ficaria sem resposta. A Rússia tem lançado ataques incessantes com drones contra Kiev nas últimas semanas, atingindo armazéns e centros de dados e retomando sua campanha contra a rede elétrica ucraniana antes do inverno.

"Putin e seu regime não têm intenção de parar de matar", afirmou o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, na rede social X. "Pelo contrário, estão intensificando os ataques, transformando a vida cotidiana dos civis em alvo das bombas russas."

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