Depois de um prejuízo bilionário, a Volkswagen planeja demitir 100 mil pessoas, e o corte acende o alerta sobre os empregos nas montadoras

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Fonte da notícia: O Antogonista O Antogonista

Montadora alemã teve perda operacional de 5,9 bilhões de euros no trimestre e negocia com sindicato um plano que prevê cerca de 50 mil cortes no grupo A Volkswagen vai mesmo demitir 100 mil pessoas? A cifra circula em reportagens da imprensa alemã, mas a Volkswagen trabalha oficialmente com cerca de 50 mil postos a menos no grupo, além de reduções já acertadas na Alemanha.

O tema ganhou força em 29 de outubro, quando a montadora divulgou um prejuízo operacional de 5,9 bilhões de euros no terceiro trimestre de 2026. O número reacendeu a preocupação com os empregos na indústria automotiva europeia.

O balanço dos nove primeiros meses mostra um resultado operacional negativo de 5,9 bilhões de euros entre julho e setembro, ante perda de 1,3 bilhão no mesmo período de 2025. O resultado líquido também ficou no vermelho: 5,8 bilhões de euros no trimestre e 2,7 bilhões no acumulado do ano, segundo o comunicado de resultados do Volkswagen Group.

A receita do trimestre caiu 6,3%, para 75,3 bilhões de euros. Boa parte do rombo vem de itens extraordinários, que somaram 7,8 bilhões de euros só no terceiro trimestre.

Entre eles estão uma baixa contábil de 6,4 bilhões ligada à Porsche, sem efeito no caixa, e ajustes de cerca de 1 bilhão em ativos na China. A empresa também cita o mercado chinês fraco, a pressão de preços e a fatia maior de elétricos, que dão margem menor.

O diretor financeiro, Arno Antlitz, foi direto: “Não podemos nos dar ao luxo de perder tempo e precisamos agir de forma rápida e decidida”. Oficialmente, a montadora fala em cerca de 50 mil postos em todo o grupo, incluindo cargos de gestão.

A cifra está no Plano do Futuro 2030 aprovado pelo conselho de supervisão em 3 de setembro. O plano mira margem operacional de 9% até 2030 e corte de cerca de 50% no número de modelos até 2035.

Em entrevista publicada no site do grupo, o presidente-executivo Oliver Blume lembrou que, em 2024, já havia sido acertada a redução de cerca de 50 mil vagas na Alemanha até 2030, somando VW, Audi, Porsche e Cariad. Sobre as reportagens que falam em 100 mil a 120 mil cortes, Blume afirmou que “a imprensa misturou as coisas”.

Segundo ele, as saídas são voluntárias, sobretudo por aposentadoria antecipada, e já há 37 mil acordos assinados. “As pessoas não estão preparadas para só haver veículos elétricos em 2035”, decisão na Europa recua nos carros elétricos➔

Porque o problema vai além da Volkswagen. O próprio grupo reconhece, no plano aprovado em setembro, que a capacidade de produção na Europa supera a demanda em mais de 500 mil veículos.

Quatro fábricas alemãs, Emden, Hanôver, Zwickau e Neckarsulm, aparecem com produção incerta entre 2031 e 2034, e um novo desenho industrial deve sair até junho de 2027. O quadro de pessoal da montadora alemã já encolhe.

Em 30 de setembro, o grupo tinha 648,1 mil funcionários no mundo, 2,2% a menos que os 662,9 mil do fim de 2025. As entregas caíram 14,3% no trimestre, para 1,9 milhão de veículos, num cenário de concorrência mais dura e preços pressionados em vários mercados.

Os ajustes não ficam restritos à Alemanha. A fabricante já encerrou a produção do ID.4 nos Estados Unidos e está vendendo a unidade de Osnabrück.

Para o leitor brasileiro, o efeito é indireto por enquanto, mas as decisões tomadas na matriz orientam investimentos, plataformas e modelos das filiais do grupo em outros países. As conversas sobre custos trabalhistas na Volkswagen AG começam em 24 de novembro, em Emden, e continuam em 15 de dezembro, em Zwickau, segundo o comunicado sobre a abertura das negociações com o IG Metall.

O plano prevê mais 12 mil postos a menos na empresa até 2030, além dos mais de 35 mil acertados em dezembro de 2024. A presidente do conselho de trabalhadores, Daniela Cavallo, defende que segurança no emprego e viabilidade econômica tenham o mesmo peso.

Para quem trabalha em montadora ou na cadeia de autopeças, o passo prático é acompanhar as fontes primárias: os balanços trimestrais da Volkswagen, a sala de imprensa do grupo e os informes do sindicato da categoria. A rodada com o IG Metall em Emden e a posição de Cavallo devem dar o tom dos próximos meses.

Se você trabalha no setor, converse desde já com o seu sindicato e confira o que o acordo coletivo garante para o seu cargo. Fora da indústria automotiva, o noticiário internacional também acompanha as escolhas do novo papa no Vaticano.

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Publicação Original O Antogonista oantagonista.com.br
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