Como se define um multiartista? Nuno Ramos, por exemplo, diz que tudo “está em formação”, assim como os materiais que usa em seus trabalhos. Ele é artista plástico, escritor, compositor e (mais recentemente) diretor de ópera. Em entrevista ao Fim de Expediente nesta sexta-feira (4), Ramos conta que procura seu caminho em tudo o que se dispõe a fazer.
'Cenário pantanoso': Felipe Recondo explica a crise no STF e o 'cada um por si' entre ministros ‘A partir da ausência’ que se entende a ‘necessidade humana de contato’, reflete Alexandre Coimbra Amaral “Não é uma intenção, não é um projeto fazer tudo. É uma coisa que vai rolando. Eu tive formação para ser escritor e alguma coisa falhou no final da adolescência, então eu comecei a pintar, sem largar a ‘coisa’ de escrever. E fui dentro das artes visuais: comecei como pintor, depois fiz a escultura, comecei a fazer performance, instalação e etc. Peguei um pouco desse jeito de me meter em coisas que eu não conheço. (...) Então, acho que nesse jogo, eu vou tentando achar o meu caminho um pouco em tudo que eu faço”, diz. Sua visão plural nas artes, como ele explica, parte mais de uma “indefinição de gênero e de linguagem do que a capacidade de fazer todas”.
“Faço quadros, faço poemas, que você pode chamar assim, mas, talvez, o mais peculiar é uma certa indefinição em relação ao gênero, uma certa resistência em relação a se entregar aqueles princípios. Sob a pressão do mundo, tudo hoje se forma muito depressa. As pessoas têm muito claro o que fazem, mesmo muito jovens. Isso me impressiona. No meu caso, a coisa vai somando, boiando, escorregando e escorrendo…” Novo livro levou 14 anos para ser escrito Em novembro deste ano, Nuno lança o livro “Minha Voz de Volta”. Publicada pela editora Todavia, a obra é um romance de ficção que brinca com a autobiografia. Finalizado em 2025, Nuno Ramos conta que levou 14 anos para escrevê-lo.
“Esse é um livro com, realmente, minha voz de volta, porque ele tem muitas vozes. É um texto que tem três vozes: uma é em itálico, a outra é em negrito e a outra é em vermelho. E essas três vozes vão conversando com memórias minhas”, divide.
“Numa época um pouco de autoficção, é uma grande ficção do alto”, completa.
Relação com os ‘Titãs’ Nuno Ramos foi colega de classe de Arnaldo Antunes – que, hoje, é seu cunhado – e de Paulo Miklos. Questionado sobre a possibilidade de ter sido um integrante da geração dos “Titãs”, o artista conta que fazia parte do grupo quando a banda se formou, mas que não se colocou no meio.
“Eu estava no grupo quando os Titãs se formaram, mas graças a Deus eu não me meti nisso. Tenho muita vergonha de palco, canto pessimamente e comecei a compor depois. Eu estava em casa, começando a pintar, e eles formando os ‘Titãs’. Então, eu já estava indo para a pintura mesmo”, conta.
Ouça a entrevista completa:
CBN