O candidato à presidência da República Romeu Zema (Novo) criticou a postura do presidente candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação às investigações sobre o Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
"Nós temos de lembrar a omissão do presidente Lula. O presidente já se posicionou?", questionou em sabatina realizada pelo jornal O Estado de S. Paulo, ao comentar os desdobramentos recentes envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Lembrado que o presidente manifestou-se publicamente pela primeira nessa quinta-feira (3), Zema continuou: "Deve ter sido muito fofo, como ele sempre procede. (...) Precisamos de uma posição incisiva. Quem é eleito presidente tem uma responsabilidade com os 215 milhões de brasileiros. E [ele] fica lá, parece que querendo que tudo continue como está".
Lula divulgou um vídeo na noite de quinta-feira, em que investigações de todos que estão relacionados com a fraude do Banco Master, “sem blindagem” e “doa a quem doer”. Lula cobrou que o STF)e a Procuradoria-Geral da República (PGR), que têm integrantes citados em documentos revelados sobre caso, liderem um processo “que garanta a integridade e a confiança nas investigações”. Nesta sexta-feira (4), durante um evento com a participação do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, Lula disse que "ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal" e afirmou que a reforma do Judiciário deve ser tema de uma "discussão profunda".
Ainda durante a entrevista, Zema defendeu apuração total dos envolvidos no escândalo do Banco Master, "doa a quem doer". "Se o Nikolas fez algo errado, que pague, se o Flávio fez algo errado, que pague também. Por que tem gente que fica acima da lei? É motivo de prisão, não é só motivo de impeachment, não", afirmou, quando perguntado se políticos citados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro em conversas deveriam ser investigados. Entre os nomes citados estão o do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), apoiador do governo Zema em Minas Gerais, e do senador e candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL).
O ex-governador também disse que deve haver investigação no caso da Cemig SIM. A subsidiária da Cemig demitiu o diretor comercial Rubens Soalheiro, suspeito de ter facilitado o envolvimento da empresa com a Green Investimentos, que era presidida por Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro.
Perguntado qual seria a vantagem para o eleitor votar em Zema, considerando que suas propostas de governo são semelhantes às de Flávio Bolsonaro, Zema disse que no Novo "só tem gente ficha limpa, no PL não". Ele também disse que tem um histórico de gestor e que é de alguém com esse perfil que o país precisa como presidente.
"Na minha opinião, o Brasil, nesse momento, está precisando muito mais de alguém que melhore o setor público, do que alguém que fica aí fazendo política como sempre foi feito. Se política tradicional resolvesse os problemas do Brasil, nós já teríamos resolvido há muito tempo. Porque essa turma PL, PT, PSDB, está liderando o Brasil há 30, 40 anos e o Brasil está ficando cada vez mais para trás", afirmou Zema.
Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e candidato do Novo à Presidência Gil Leonard/Agência Minas
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