“Vou recorrer à Justiça e buscar o retorno à Prefeitura”, diz prefeito cassado de São Miguel do Araguaia

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Fonte da notícia: Jornal Opção Jornal Opção

O prefeito cassado de São Miguel do Araguaia, Jerônymo José de Siqueira Neto (MDB), afirmou ao Jornal Opção que irá recorrer à Justiça contra a decisão da Câmara Municipal que retirou seu mandato. Em entrevista ao Jornal Opção, ele disse não reconhecer a prática de improbidade administrativa que justifique a cassação e classificou a decisão como política.

O prefeito também admitiu que houve atrasos no pagamento dos servidores e repasses inferiores ao valor integral do duodécimo devido ao Legislativo, mas afirmou que as medidas foram adotadas diante das dificuldades financeiras do município. A cassação foi aprovada na segunda-feira, 26, por nove votos a dois, após os vereadores acolherem as cinco infrações apontadas no processo político-administrativo.

A denúncia foi apresentada por um eleitor e teve como fundamentos o repasse de valores inferiores aos devidos à Câmara no primeiro semestre de 2026 e os atrasos recorrentes no pagamento da folha dos servidores municipais. Jerônymo afirmou que pretende utilizar os meios legais disponíveis para reverter a decisão e retornar à Prefeitura.

“No meu caso, não reconheço a prática de improbidade administrativa que justifique essa cassação. Por isso, vou recorrer à Justiça e buscar todos os meios legais para reverter a decisão”, declarou.

O ex-prefeito também disse que considera necessário analisar as circunstâncias financeiras da administração antes de avaliar as irregularidades apontadas. Segundo ele, os atrasos salariais são uma realidade enfrentada por prefeituras brasileiras e, em São Miguel do Araguaia, precisam ser considerados diante das dívidas herdadas de gestões anteriores.

Jerônymo afirmou ter assumido a Prefeitura com R$ 62 milhões em débitos acumulados por administrações anteriores. Segundo ele, somente em 2026 foram pagos mais de R$ 7 milhões em precatórios.

O ex-prefeito disse que as obrigações comprometeram parte significativa dos recursos disponíveis e impactaram o orçamento municipal. Diante da situação, ele afirmou que a gestão adotou medidas para reorganizar as contas, incluindo ajustes administrativos e cortes de contratos considerados não essenciais.

Jerônymo reconheceu que houve atrasos salariais, mas destacou que, segundo ele, a folha dos servidores estava integralmente em dia na data da sessão que resultou na cassação. “Reconheço as dificuldades enfrentadas, mas também defendo que todo o trabalho realizado para regularizar os pagamentos seja considerado nessa avaliação”, disse.

Outro ponto questionado no processo foi o repasse do duodécimo à Câmara Municipal. O Legislativo apontou que deixou de receber aproximadamente R$ 916 mil entre janeiro e julho de 2026.

O valor corresponde a recursos destinados ao custeio das atividades da Casa, conforme as regras de transferência entre os Poderes municipais. Jerônymo confirmou que realizou repasses inferiores ao valor integral devido e justificou a decisão pela necessidade de priorizar despesas da administração.

Entre os gastos mencionados por ele estão o abastecimento da Farmácia Básica, a merenda escolar, o combustível para o transporte escolar e o pagamento dos servidores municipais. “Os recursos foram direcionados para atender a essas necessidades da administração”, afirmou.

Segundo o ex-prefeito, os valores transferidos à Câmara foram suficientes para cobrir despesas essenciais, especialmente os salários dos vereadores e dos servidores do Legislativo, que, conforme sua versão, foram pagos em dia. O ex-prefeito argumentou que a decisão de priorizar determinadas despesas ocorreu em um cenário de restrição financeira.

Ele defendeu que o valor apontado pela Câmara seja analisado em conjunto com o orçamento municipal, as obrigações assumidas pela Prefeitura e os serviços públicos que precisavam ser mantidos. Afirmou ainda que cabe às instâncias competentes avaliar a legalidade dos procedimentos adotados.

Após a cassação, Jerônymo também declarou que pretende avaliar, com seu advogado, materiais que afirma possuir sobre supostas irregularidades relacionadas ao processo. Questionado se apresentará às autoridades áudios, mensagens e documentos, respondeu que a defesa está examinando as provas antes de definir as medidas jurídicas cabíveis.

“Qualquer providência será tomada pelos caminhos legais, com responsabilidade e atenção aos interesses da população de São Miguel do Araguaia. Nosso objetivo é esclarecer os fatos e permitir que tudo seja devidamente apurado pelas autoridades competentes”, afirmou.

A decisão da Câmara foi formalizada pelo Decreto Legislativo nº 3/2026, após sessão pública na qual os vereadores votaram nominalmente cada uma das cinco infrações atribuídas ao prefeito. Segundo o Legislativo, Jerônymo foi notificado dos atos do processo e teve oportunidade de apresentar defesa, mas optou por não comparecer à sessão de julgamento.

A Câmara também informou que seis pedidos de suspensão do processo foram rejeitados pelo Poder Judiciário, em decisões proferidas pelo juízo da comarca, pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Com a cassação, o vice-prefeito Natanael Martins Coelho (MDB) deverá assumir o comando da administração municipal.

Jerônymo afirmou que não pretende antecipar avaliações sobre a nova gestão e que mantém questionamentos sobre a condução do processo, especialmente em relação à participação do vice-prefeito e do presidente da Câmara. Segundo ele, essas questões serão levadas às instâncias legais.

Ao comentar a saída do cargo, o ex-prefeito agradeceu às manifestações de apoio que afirma ter recebido e pediu que os servidores municipais continuem desempenhando suas funções normalmente, independentemente das mudanças políticas. “Sei da responsabilidade que assumi quando o povo me confiou esse mandato e não vou desistir de buscar, dentro da lei, o direito de retornar à Prefeitura”, declarou.

Jerônymo encerrou afirmando que pretende recorrer até o fim dos instrumentos legais disponíveis e que deseja dar continuidade ao trabalho iniciado durante sua gestão. “Minha história com esta cidade não termina com essa decisão”, disse.

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