Você já sentiu que não merece suas conquistas? Entenda a síndrome da impostora

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Indicada ao Oscar, vencedora do Emmy e com mais de 20 anos de carreira, Amanda Seyfried já conquistou reconhecimento em diferentes etapas de sua trajetória em Hollywood. Ainda assim, a atriz surpreendeu ao dizer que só passou a se sentir verdadeiramente uma estrela de cinema depois do sucesso de "A Criada".

A declaração chama atenção para uma contradição comum: mesmo diante de conquistas expressivas, algumas pessoas têm dificuldade para reconhecer o próprio mérito. Saiba: Por que mulheres repensam suas prioridades mesmo após conquistar sucesso na carreira?

Uma rotina de trabalho intensa pode afetar a saúde? Veja os sinais de que é hora de desacelerar Outras mulheres conhecidas também já falaram sobre sentimentos semelhantes.

Emma Watson, que ganhou projeção mundial ao interpretar Hermione na franquia "Harry Potter", relatou experiências associadas à chamada síndrome da impostora. Kate Winslet também já comentou suas inseguranças em relação ao próprio talento, enquanto Michelle Obama falou sobre dúvidas a respeito da própria capacidade, mesmo depois de chegar à Casa Branca.

Embora apareça com frequência em relatos de pessoas bem-sucedidas, o fenômeno não se restringe a celebridades ou a ambientes de alta visibilidade. A síndrome da impostora não é um diagnóstico psiquiátrico, mas um padrão de pensamentos e sentimentos marcado pela dificuldade de reconhecer as próprias conquistas.

Quem passa por isso tende a atribuir os resultados positivos à sorte, às circunstâncias ou até a uma avaliação equivocada das outras pessoas. Para a psiquiatra Jessica Martani, o reconhecimento externo nem sempre muda a percepção que alguém tem de si.

"Uma pessoa pode receber prêmios, elogios e oportunidades importantes e, ainda assim, acreditar que não é tão competente quanto os outros imaginam. Isso acontece porque existe uma diferença entre ser reconhecida e conseguir reconhecer o próprio valor.

Quando a autoestima depende exclusivamente da validação externa, nenhuma conquista parece suficiente por muito tempo", explica. Esse sentimento pode aparecer de diferentes formas.

Há quem minimize os próprios resultados, quem tenha medo constante de cometer erros e quem tema ser visto como menos capaz do que aparenta. Mesmo depois de alcançar um objetivo, a satisfação pode dar lugar rapidamente à sensação de que é preciso provar novamente que merece ocupar determinada posição.

O perfeccionismo também pode fazer parte desse ciclo. "É comum que o perfeccionismo esteja associado a esse comportamento.

A pessoa estabelece padrões muito elevados e interpreta qualquer falha como uma confirmação de que não é boa o suficiente. O problema é que, quando alcança o objetivo, em vez de reconhecer o próprio esforço, ela simplesmente aumenta o nível de exigência.

Assim, vive em uma cobrança constante, sem conseguir aproveitar aquilo que conquistou", afirma. Entre as mulheres, a discussão também passa pelas expectativas que recaem sobre elas em diferentes áreas da vida.

A cobrança para corresponder a padrões profissionais, familiares, sociais e estéticos pode dificultar o reconhecimento das próprias realizações. Em alguns contextos, a autoconfiança feminina ainda é confundida com arrogância ou ambição excessiva, o que contribui para que conquistas sejam minimizadas.

As redes sociais podem intensificar essa percepção. Ao acompanhar recortes da rotina e da carreira de outras pessoas, muitas vezes apresentados como trajetórias sem obstáculos, fica mais fácil acreditar que todos estão avançando enquanto se permanece no mesmo lugar.

Para quem já tem uma tendência à autocrítica, a comparação constante pode ampliar a sensação de inadequação. "Quando a pessoa compara seus bastidores com os melhores momentos da vida dos outros, ela cria uma percepção distorcida da realidade.

O sucesso alheio passa a funcionar como uma medida de insuficiência pessoal. É importante compreender que trajetórias são diferentes e que a comparação constante pode alimentar ansiedade, insegurança e uma necessidade excessiva de aprovação", observa a psiquiatra.

Nem toda dúvida sobre a própria capacidade, porém, significa síndrome da impostora. Questionar uma decisão, sentir insegurança diante de um desafio ou querer aprimorar o próprio trabalho são experiências comuns.

A preocupação surge quando esses sentimentos se tornam persistentes, provocam sofrimento e começam a afetar o descanso, as relações pessoais ou a capacidade de aproveitar as próprias conquistas. "O primeiro passo é aprender a reconhecer os próprios resultados sem desqualificá-los.

Também é importante compreender que cometer erros não anula a competência de ninguém. Quando essa cobrança se torna intensa, a psicoterapia pode ajudar a identificar padrões de pensamento e construir uma relação mais saudável com o sucesso.

Ser competente não significa acertar sempre, mas conseguir reconhecer o próprio valor mesmo diante das imperfeições", conclui Jessica.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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