O cartão de visitas do corretor de imóveis ganhou um novo formato: vídeos, stories e milhares de seguidores. Com 147 milhões de usuários no Brasil, o Instagram se tornou uma poderosa ferramenta de divulgação e negócios para profissionais que aprenderam a transformar a exposição de imóveis em relacionamento, audiência e vendas.
O país é o terceiro do mundo em número de usuários da plataforma, atrás apenas de Índia e Estados Unidos — e só perde para o WhatsApp entre as redes sociais mais utilizadas. Cada brasileiro passa, em média, 1 hora e 27 minutos por dia navegando no Instagram, segundo o relatório Digital Brazil, da Meta.
E essa audiência tem potencial de consumo. Pesquisa da Opinion Box de 2025, com 1,1 mil usuários, mostra que 73% dos brasileiros já compraram produtos ou serviços na rede, 83% seguem marcas ou perfis institucionais e 81% usam o aplicativo para pesquisar antes de fechar negócio.
Kika Cavalcanti está há 15 anos no setor e usa sua experiência em teatro e TV para se destacar com clientes e seguidores Divulgação
No mercado imobiliário, corretores transformam essa audiência em clientela. Kika Cavalcanti, com 29 mil seguidores, no setor há 15 anos, gravava vídeos de imóveis há cerca de dez.
A conta decolou em 2020, quando criou uma página profissional. Há quatro anos trabalha com uma videomaker, usa bordões como “hello, meus instafriends” e leva para as câmeras sua experiência em teatro e TV.
Nos stories, usa o humor para contar os perrengues da profissão e escolhe looks que combinem com os imóveis que apresenta. — As pessoas antes compravam pelos classificados.
Hoje é preciso fazer uma superprodução para se destacar, e quem não bota a cara no vídeo não tem o mesmo retorno de vendas. O corretor tem que ser sua própria marca.
Muitos seguidores nem estão procurando imóvel para comprar, mas gostam do conteúdo, de ver casas bonitas — diz Kika. Marina Brasil, que tem 40 mil seguidores e atua na Região Serrana do Rio, começou a usar o Instagram profissionalmente há cerca de três anos — e acabou se tornando uma referência.
Os vídeos são gravados pelo marido, com celular e sem filtros. O cuidado está na curadoria: Marina visita as casas e só apresenta aquelas alinhadas ao seu gosto e interesses dos clientes.
A força da ferramenta ficou evidente quando ela comercializou o primeiro imóvel acima de R$ 11 milhões. A proprietária pediu que os stories fossem retirados do ar, mas, nas poucas horas em que foram exibidos, um comprador viu o conteúdo e agendou uma visita.
— Minha atuação no Instagram começou de forma despretensiosa. Passei a mostrar meu trabalho, compartilhar minha rotina e me apresentar do jeito que sou no dia a dia.
A ferramenta está disponível para todos, mas são a autenticidade, a consistência e o trabalho árduo que entregam resultados — afirma Marina. Lya Torres diz gravar seus vídeos sem roteiro e em um só take, destacando seu olhar ao visitar os imóveis e a vista dos apartamentos
Divulgação Outra corretora que se rendeu à força das redes sociais, Lya Torres fez seu primeiro post profissional em abril de 2024, quando obteve o registro no Creci.
Uniu a formação na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) à vontade de vender e montou uma operação inteiramente virtual. No início, o catálogo era o próprio Instagram, que hoje reúne 57 mil seguidores.
No ano passado, fechou a venda de 30 apartamentos. Os vídeos são gravados por uma assistente, sem roteiro e em apenas uma tomada.
Quando o imóvel precisa de reforma, Lya sugere intervenções durante a apresentação, fazendo com que o interessado chegue à visita já com outro olhar. — Eu uso muito o apelo das vistas, porque não existe um comprador que não pergunte se a casa ou apartamento tem vista livre.
Então, procuro passar a sensação de estar no imóvel, olhando para a mata, o mar ou a montanha. Eu entro no apartamento como compradora, ando pelos ambientes como moradora e começo a produzir o vídeo como vendedora — conta Lya.
O Globo