Viúva detalha últimos dias de Lito Sousa e revela pedido dele sobre anúncio da morte

Viúva detalha últimos dias de Lito Sousa e revela pedido dele sobre anúncio da morte - Foto
Fonte da notícia: Revista Quem Revista Quem

Viúva de Lito Sousa, Mila Seidl detalhou como foram os últimos dias do dono do canal Aviões e Músicas. A também youtuber revelou a causa da morte do marido — em 1º de outubro, aos 59 anos, as especificações deixadas por ele a respeito dos cuidados no tratamento e a escolha do youtuber quanto à forma com que a morte fosse anunciada.

As declarações foram feitas no podcast Inteligência LTDA, na terça-feira (3). Causa da morte

Mila contou que Lito morreu de pneumonia, segundo ela, comum a pacientes diagnosticados com a rara condição degenerativa chamada Doença de Creutzfeldt-Jakob. "Normalmente, as pessoas não falecem de CJD, mas de complicações", disse.

Perda dos movimentos A youtuber falou da saúde do marido nos últimos dias de vida.

"Eu acredito, minha opinião, não tem como comprovar isso, que até o final ele estava cognitivo. Só que a CJD, no caso dele, aprisionou ele dentro do corpo.

Ele começou a não movimentar braço, não movimentar perna, até que perdeu a sustentação do tronco. Então, ele já não conseguia mais, por exemplo, ficar sentado.

E, com o tempo, o pescoço e a cabeça [perderam os movimentos]. Quando isso aconteceu, ele perdeu os controles de movimento de deglutição.

Então ele precisou ter que passar uma sonda de alimentação", contou. Testamento e declaração de vontade

A viúva disse que Lito havia feito uma declaração do que permitia ou não durante o tratamento. "Lito era tão inteligente que fez tanto um testamento quanto essa declaração de vontade.

Nessa declaração, colocou o médico dele como responsável por decidir as coisas e não eu, porque ele me conhecia e sabia que eu iria com ele até o fim. Eu já estava pronta pra ficar com o Lito vinte anos na cadeira de rodas, fosse como fosse.

Eu mandei adaptar toda a casa, aumentar as passagens pra ele poder ir de cadeira de rodas. Foi tudo pensado", relembrou.

"Só que tinha algumas coisas que ele não queria. Uma delas é que ele não topava era ser entubado, e não queria ficar em estado vegetativo.

Ele falou: Eu só topo passar a sonda de alimentação se for pra esperar o remédio'. Nisso que passou, ele começou a perder essa questão de engolir saliva, engolir comida e tudo mais.

Quando isso começou a acontecer, se instalou um quadro que se começa a aspirar a própria saliva", continuou. Esforços

Mila disse que não foram economizados esforços e investimentos para salvar o youtuber. "Tudo que existia no mundo foi dado pra ele.

A gente não poupou nenhum recurso financeiro. Sem nenhum tipo de 'isso vai ser muito complicado' ou 'isso é muito caro'".

Últimos dias quando foi...

ele faleceu na quinta-feira. Quando foi no sábado pro domingo, ele começou a ter dificuldade pra respirar, com um barulho assim, né, faz um barulho e tal, tá, tá, tá.

E aí o médico falou: Ó, a gente vai fazer o exame, eu acho que ele tá com pneumonia. Fez os exames e aí deu que ele de fato tava com pneumonia.

Falou: A gente vai passar um antibiótico, ele tem que melhorar em dois dias aí do antibiótico. Se ele não melhorar do antibiótico, aí a gente entra naquele momento que ele não quer, que é entubar.

E ele falou assim: A gente não vai entubar o Lito porque ele não queria que entubasse. Por quê? É muito agressivo? O que que é? Não é porque é muito agressivo, é porque não ia ter reversão do quadro.

Ah, tá. Pelo que eu entendi é isso, assim, naquela situação dele, não tinha como reverter.

Então seria manter ele vivo artificialmente, assim. Poderia talvez o Lito ficar mais um ano, não sei dizer assim, a gente não tem controle sobre isso, mas ele ficaria com sonda, com tubo, com não sei mais o quê, mas não estaria...

É sedado, né? Não estaria aqui. E isso era uma situação que ele não queria.

E aí foi quando passou esses dias, ele não melhorou do quadro de pneumonia, e aí começa a cair, né, a oxigenação, o corpo começa a entrar num processo ali que precisa de uma ventilação maior, e ele falou: Não, a gente não vai fazer. Mila tá aqui na declaração de vontade dele, a gente precisa.

E ali, nesse momento, pra mim, eu acho que de tudo foi o mais difícil, né? Porque você fala: Mas como assim não? E aí a Fê conversou muito comigo, a psicóloga do hospital: Não, a gente... Hoje eles levam muito a sério isso, a declaração, que se chama testamento vital.

É o que você quer que faça em vida. Quando você ainda tem um nível de consciência, você pode definir algumas coisas.

Então foi assim, tira... eu fui lá e coloquei de volta.

Tinha um negocinho aqui, e aí eles falaram: Mila, não pode, não. Agora tem que deixar, é paliativo e tudo mais.

Então foi um momento, assim, crítico, porque você fala: Mas e aí, o que vai ser? O pediátrico, então, não reverteu? Não reverteu. E é porque ele estava muito fraco? Ou não se sabe? Eu acho que tudo, né? Eu acho que entra num...

fica uma coisa sistêmica. Então uma coisa vai levando a outra, aí você tá num ambiente hospitalar, então tudo...

Mas normalmente as pessoas que têm CJD, pelo que eu pesquisei, elas acabam falecendo de pneumonia. Ah, é? Sim.

Então foi o caso dele. A causa-morte dele é...

Essas oportunistas, né? É, exatamente. Foi pneumonia.

Que, como consequência, é a CJD, né? Então foi isso que aconteceu com ele. E ali no dia a gente já sabia, porque isso foi na segunda pra terça-feira, ele entrou nos cuidados paliativos.

Na terça-feira, na verdade, que foi no dia 29 de setembro, que é o dia que a gente faz aniversário de namoro. — Ah, é? — É, dia 29 de setembro.

E aí o médico falou, eu falei: Mas e aí? Não vai entubar? Como é que vai ser? Dura quanto tempo? Ele falou: Mila, olha, não tem como precisar pra você. Pode ser que ele aguente 12 horas, pode ser que ele aguente 24, pode ser que ele aguente uma semana, não mais de uma semana.

Tanto que o vídeo que a gente postou da despedida do Lito, que é um vídeo editado, ele começou a ser feito... eu pedi, eu escrevi o texto, né? Pedi pra fazer ali já à noite, no final do dia 29, porque eu já sabia que tinha pouco tempo.

E isso era uma recomendação que ele tinha. Ele falou assim: Eu quero que você comunique as pessoas de uma forma bonita.

Não vai aparecer você chorando e lá, lá, lá. Faz um vídeo estilo o Aviões e Músicas.

Então eu chamei a Lívia, que é uma amiga minha jornalista, a gente escreveu, e aí ela falou: Mila, você vai ter que gravar esse áudio. Eu falei: Cara, eu não sei se eu vou aguentar gravar esse áudio.

Eu gravei umas 50 vezes o áudio. E a gente fez uma seleção de imagens pra contar a história dele.

Então, assim, o que a gente queria era contar de uma forma poética e realmente, eu acho que... não sei se você assistiu.

— Vi, ficou maravilhoso. — Ficou lindo.

É óbvio que ele faleceu e a gente fez o vídeo. A gente começou a fazer o vídeo a partir do momento que a gente recebeu essa notícia que não ia durar mais do que pouquíssimos dias.

Mas a previsão era que fossem um dia. Em 24 horas, mais ou menos, ele ficou, acho que 48 horas, quase dois dias e meio, né? Quase 72 horas.

Porque o coração dele era muito, muito forte. Ele era um cara saudável do ponto de vista, então o coração tava ali resistindo, né? Resistindo, resistindo, resistindo.

Então, quando o Lito fez a passagem, ali nos últimos momentos, nos últimos segundos dele, eu não dei conta de ficar. Eu fiquei o tempo inteiro, mas ali no final...

É mesmo? Não, não consegui. E aí eu saí e falei pra Fê e pro...

Você sabia que era os últimos... Sabia.

Já tava sentindo? Sabia, sabia. A gente vai acompanhando os números que estão ali, barulho, né? Tava já, já, já sabia.

Era coisa de uma hora, assim, tava já no final. E eu não aguentei.

Eu fiquei o tempo inteiro, mas ali no momento não consegui. Só que eu também não queria que ele ficasse sozinho, então eu pedi pro Mauro, que tá no outro vídeo, né, pro Mauro ficar.

Eu tinha ligado pro Mauro na segunda-feira, o Mauro tava viajando, é uma... o Mauro é piloto.

Eu perguntei: Mauro, você tem como você voltar? Porque o Lito tá partindo e eu preciso de você aqui. O Mauro, ele é padrinho do nosso filho, ele e a Ju, e melhor amigo do Lito.

Então, assim, o Mauro, durante esses três meses que a gente ficou, quando ele não tava viajando, ele tava no hospital comigo. Então, só tinham três pessoas que ficaram: era a Fê, eu e o Mauro.

Eu ficava direto, e o Mauro e a Fê, né, ficavam ali nesse revezamento. Eu falei: Mauro, preciso de você aqui, não vou dar conta, pra mim tá muito difícil.

Ele falou assim: Você acha que ele aguenta hoje? Eu falei: Eu não sei, eu acho que sim. Então o Mauro voltou, acho que ele tava em Londres, eu não sei.

Fazendo o voo, veio pra cá e dali ele ficou comigo até, de fato, direto. Dormiu e tudo mais.

E ali, nos últimos momentos, eu não aguentei, ele falou: Mi, vai lá pra fora, eu vou ficar aqui com o Lito, não sai aqui do lado dele. ASSISTA AO VÍDEO:

Publicação Original Revista Quem revistaquem.globo.com
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