A ampla vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos provocou reações imediatas de governos e lideranças políticas em diferentes partes do mundo nesta quarta-feira. O resultado devolve aos democratas o controle da Câmara e do Senado e enfraquece o presidente Donald Trump a dois meses do fim do mandato.
Aliados e adversários interpretaram a eleição como um sinal de mudança no cenário político internacional. No Irã, a derrota republicana foi associada diretamente ao conflito entre Washington e Teerã.
Em uma publicação na rede X, Mohammad Ghalibaf, principal negociador iraniano nas conversas com os Estados Unidos, afirmou que "os americanos disseram não à guerra". Segundo ele, seja por convicção ou pelo impacto do aumento do custo de vida, os eleitores rejeitaram a política externa adotada por Trump.
O próprio presidente americano reconheceu, em entrevista à Fox News, que a guerra contra o Irã foi parcialmente responsável pelo revés eleitoral de seu partido. Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez comemorou o resultado e o relacionou ao cenário político espanhol, que se prepara para eleições legislativas antecipadas no fim do mês.
Segundo Sánchez, os eleitores americanos rejeitaram políticas ligadas ao empobrecimento, ao negacionismo climático e ao avanço da extrema direita. Para o premiê, a chamada onda ultraconservadora estaria perdendo força em diferentes partes do mundo.
A China adotou um discurso mais cauteloso. O Ministério das Relações Exteriores classificou as eleições americanas como um assunto interno dos Estados Unidos e evitou comentar o resultado.
Na França, lideranças da esquerda celebraram a vitória democrata como uma demonstração de que o avanço da extrema direita não é inevitável. Elas também associaram o resultado à recente reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil, apontando os dois episódios como sinais de fortalecimento das forças progressistas e enfraquecimento das conservadoras.
Integrantes da esquerda chegaram a fazer um paralelo com o partido de extrema direita Reunião Nacional, comparação rejeitada pelo presidente da legenda, Jordan Bardella. Para muitos analistas, o resultado das eleições americanas ultrapassa as fronteiras dos Estados Unidos e alimenta um debate global sobre o futuro dos movimentos populistas e nacionalistas que ganharam força na última década.
Mercados reagem ao resultado Os mercados globais também repercutiram a vitória democrata nesta quarta-feira.
Na Ásia, as bolsas fecharam em queda. A de Tóquio recuou 1,42%, depois de chegar a perder quase 5% durante o pregão, enquanto Taipei caiu 0,83%.
Na Europa, o movimento foi de alta. No início das negociações, Paris avançava 0,30%, Frankfurt subia 0,37% e Milão registrava ganho de 1,4%.
A Bolsa de Londres operava praticamente estável. No mercado de câmbio, o dólar perdeu força após o resultado eleitoral.
O euro avançava 0,42% frente à moeda americana, enquanto o dólar caía 0,35% em relação ao iene japonês.
CBN