Crítico de Israel, muçulmano El-Sayed é eleito senador por Michigan

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O democrata Abdul El-Sayed fez história ao ser eleito para o Senado dos Estados Unidos pelo estado de Michigan, superando o ex-parlamentar republicano Mike Rogers em uma disputa acirrada. Com o resultado, o médico de 42 anos se torna o primeiro muçulmano a integrar a Câmara Alta do Congresso norte-americano, ocupando a vaga deixada pelo veterano Gary Peters, que optou pela aposentadoria.

Em um discurso inflamado em seu comitê eleitoral em Detroit, sob gritos de “Palestina Livre” vindos do público, El-Sayed questionou os gastos militares dos Estados Unidos e o apoio concedido ao governo israelense. “Queremos nossos impostos gastos aqui, para escolas aqui, e saúde aqui, e infraestrutura aqui.

Não queremos nosso dinheiro enviado para fazer apartheid, ou genocídio, ou guerra”, afirmou o parlamentar eleito. El-Sayed acrescentou que o contribuinte norte-americano deveria ter a garantia do uso local dos impostos em benefício da sociedade: “não deveria ser difícil pagar seus impostos e saber que esse dinheiro vai ser gasto com você e seus filhos, em vez de lançar bombas em outra pessoa e nos filhos dela”.

O senador eleito também comemorou a vitória com simbolismo religioso ao declarar à militância: “você pode ter notado que até agora eu disse ‘Inshallah’, ou ‘se Deus quiser’… mas hoje à noite podemos mudar esse Inshallah para ‘Alhamdulillah’”, ou ‘graças a Deus’. A eleição em Michigan ocorreu em um contexto de ampla vitória do Partido Democrata no Congresso, que retomou a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado.

O movimento refletiu o descontentamento do eleitorado com o governo do presidente Donald Trump, impulsionado pelas frustrações com a inflação, o conflito com o Irã e denúncias de corrupção governamental. A guinada democrata também evidenciou a crescente mudança na base do partido em relação ao Oriente Médio, na qual posições como o fim total da ajuda militar a Israel ganharam tração.

Na própria manhã do pleito, Trump anunciou que a assistência militar anual de cerca de US$ 4 bilhões ao governo israelense seria encerrada progressivamente até o fim do ano, alegando acordo prévio com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Apesar da vitória, a campanha de El-Sayed enfrentou forte oposição interna e externa.

O comitê de ação política AIPAC, tradicional grupo de pressão pró-Israel, realizou investimentos milionários para apoiar o republicano Mike Rogers na disputa geral. Parte considerável da comunidade judaica de Michigan, estimada em 105 mil pessoas, demonstrou apreensão com a candidatura de El-Sayed devido a declarações passadas, sua ligação inicial com o streamer Hasan Piker e questionamentos do democrata sobre o papel do Estado de Israel.

O ambiente tenso levou líderes locais e até a deputada democrata Haley Stevens a declararem apoio ao candidato republicano na reta final da campanha. Em resposta às preocupações, El-Sayed comprometeu-se publicamente a combater o antissemitismo.

Alvo de ataques da campanha republicana, que buscou rotulá-lo de forma extremista, o médico centrou sua plataforma no diálogo com a população trabalhadora e em propostas progressistas. Ele percorreu regiões conservadoras do estado defendendo o fim da influência do poder econômico na política e a criação de um sistema público universal de saúde.

“Você merece poder ir ao médico sem receber uma conta enorme”, disse o futuro senador aos eleitores na véspera da votação, garantindo que lutará contra o modelo corporativo de saúde americano.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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