A Cúpula Ibero-Americana começa nesta quarta-feira (4) em Madri, com as atenções voltadas para o presidente argentino, Javier Milei, um crítico ferrenho do anfitrião, o socialista Pedro Sánchez, que disputa nas eleições deste mês a sua permanência à frente do governo espanhol. Além de Milei, esta 30ª Cúpula Ibero-Americana contará com a presença de outros representantes da direita de uma América Latina atualmente inclinada para esse lado do espectro político, como o chileno José Antonio Kast, a costa-riquenha Laura Fernández, o boliviano Rodrigo Paz e o hondurenho Nasry Asfura.
Por outro lado, estarão ausentes os principais nomes da esquerda regional: o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva e a mexicana Claudia Sheinbaum, que recentemente deu por encerrada uma crise diplomática com Madri, após o rei Felipe VI reconhecer que houve "muito abuso" durante a conquista.
Trata-se de uma cúpula "incômoda" para Sánchez, devido aos presidentes que comparecerão, ao fato de ocorrer "em meio a uma campanha eleitoral" e por acontecer logo após o acidente ferroviário de Urda, que deixou 69 mortos, avaliou à AFP Anna Ayuso, especialista em América Latina do centro de estudos CIDOB, de Barcelona.
@@NOTICIAS_RELACIONADAS@@ O encontro busca revitalizar esse espaço, que reúne 19 países latino-americanos, além de Espanha, Portugal e Andorra, após anos de declínio; contudo, as atenções estarão concentradas em Milei.
O argentino visitou o território espanhol diversas vezes desde que assumiu a presidência, no final de 2023, mas não se encontrou nem com o rei, nem com Sánchez. Desta vez não será diferente, já que, além da cúpula, não estão previstas reuniões bilaterais com o chefe de Estado ou com o chefe do Executivo, segundo fontes do governo espanhol.
O dirigente ultraliberal esteve em Madri há apenas duas semanas, onde classificou Sánchez como um "ditador inaceitável", "ladrão" e "corrupto", ao mesmo tempo em que convocou os espanhóis a "expulsar os socialistas a pontapés" nas eleições antecipadas de 29 de novembro.
O governo espanhol rejeitou os "insultos e calúnias" de Milei, enquanto Sánchez, que se autodenominou, com orgulho, um "esquerdista" (termo usado pelo argentino para criticar militantes de esquerda), aproveitou para comparar a situação econômica da Argentina e da Espanha, concluindo que "motosserras e cortes drásticos (...) não constroem nada; pelo contrário, destroem".
Folha de Pernambuco