Vitória de Lula ameaça os planos da direita para seguir no comando da capital de SP? Veja o que está em jogo

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Resultado na capital fortalece o campo progressista. Sucessão de Nunes dependerá de alianças, avaliação da gestão e força dos candidatos locais

Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria. A vitória do presidente Lula (PT) na cidade de São Paulo no segundo turno pode ter reflexos na disputa pela Prefeitura em 2028.

Embora o resultado da eleição presidencial não determine o comportamento do eleitorado em um pleito municipal, o desempenho do petista representa um sinal para os partidos que organizam a sucessão de Ricardo Nunes (MDB). O cenário também pode influenciar as estratégias da direita e do campo progressista para a disputa pelo comando da capital paulista.

No segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, Lula recebeu 3.864.354 votos na capital paulista, o equivalente a 55,5% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL), adversário do presidente na disputa, obteve 3.097.923 votos, ou 44,5%.

A diferença entre os candidatos chegou a aproximadamente 766 mil votos, uma vantagem de 11 pontos percentuais para o petista. O resultado também representou uma ampliação da vantagem de Lula em relação ao primeiro turno.

Na primeira etapa da eleição, o presidente havia recebido 3.052.349 votos na capital, contra 2.760.747 de Flávio. No segundo turno, Lula conquistou mais de 812 mil votos adicionais, enquanto o candidato do PL ampliou sua votação em aproximadamente 337 mil.

O petista também passou a vencer em 43 das 57 zonas eleitorais da cidade, oito a mais do que no primeiro turno. A mudança no mapa eleitoral chamou atenção especialmente pelo avanço em regiões periféricas.

Lula conseguiu virar o resultado em oito zonas eleitorais, incluindo Casa Verde, Saúde, Pirituba, Jaçanã, Sapopemba, Cangaíba, Ponte Rasa e Lauzane Paulista. Na zona sul, o presidente também venceu em regiões como Grajaú, Parelheiros, Capela do Socorro, Pedreira, Cidade Ademar e Jabaquara.

O desempenho tem relevância para a direita porque parte dessas regiões também integra a base eleitoral que ajudou a eleger Ricardo Nunes em 2024. Isso pode levar os partidos do campo convervador a rever estratégias de aproximação com o eleitorado periférico, principalmente em áreas nas quais a disputa municipal costuma envolver demandas locais e avaliação dos serviços públicos.

Apesar do avanço do campo progressista na eleição presidencial, o resultado municipal de 2024 mostra que a direita e o centro ainda possuem força na capital. Na ocasião, Ricardo Nunes foi reeleito prefeito com 59,35% dos votos válidos, enquanto Guilherme Boulos (PSOL), que contou com o apoio do PT, terminou a disputa com 40,65%.

A diferença foi de aproximadamente 1 milhão de votos. A eleição também registrou abstenção de 31,54%, o equivalente a mais de 2,9 milhões de eleitores que não compareceram às urnas.

A comparação entre os dois pleitos demonstra que o voto presidencial e o municipal nem sempre seguem a mesma orientação. Em 2024, Nunes conseguiu reunir uma ampla aliança partidária, que incluiu MDB, PL, PSD, Republicanos, União Brasil e outras legendas.

Já Boulos contou com o apoio da federação formada por PT, PCdoB e PV, além de PSOL, Rede e PDT. O desafio do campo progressista para 2028 será fazer com que a vantagem conquistada por Lula na capital chegue a uma candidatura competitiva para a Prefeitura.

Para isso, a articulação entre os partidos, a escolha de um nome capaz de dialogar com diferentes segmentos do eleitorado e a construção de uma frente política serão fatores importantes. Do lado da direita e do centro, a sucessão de Ricardo Nunes também começou a ser discutida antes mesmo das eleições presidenciais.

Como está no segundo mandato consecutivo, o prefeito não poderá disputar uma nova reeleição em 2028 e deverá trabalhar para manter seu grupo político no comando da capital. Um dos nomes que ganhou força nesse processo é o do deputado federal eleito Sidney Cruz (MDB), ex-secretário municipal de Habitação.

Segundo informações publicadas pelo Painel, da Folha de S.Paulo, Nunes considera que a eleição de Cruz para a Câmara dos Deputados fortaleceu a possibilidade de lançá-lo como sucessor. Ele recebeu 130.951 votos nas eleições de 2026 e foi o segundo candidato mais votado do MDB na disputa para deputado federal em São Paulo.

Outros nomes também aparecem nas articulações do atual prefeito, como Fabrício Cobra, secretário municipal de Subprefeituras, e Pedro Fernandes, que comanda a SP Urbanismo. A estratégia de Nunes é apostar em alguém de sua própria gestão para preservar a continuidade administrativa e manter a influência política do grupo na capital.

A eleição presidencial também pode interferir nesses planos. Antes do segundo turno, aliados de Nunes apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro como uma oportunidade de fortalecer a posição do prefeito no campo da direita e abrir espaço para uma articulação com foco nas eleições estaduais de 2030.

Com a derrota do senador na capital e no cenário nacional, os planos podem precisar de ajustes. Apesar do resultado favorável a Lula na capital, a eleição de 2028 ainda depende de uma série de fatores.

A avaliação da administração municipal, a situação econômica, a capacidade de articulação dos partidos e o surgimento de novas lideranças podem alterar o cenário até o início da campanha. Camila Souza é repórter do ND Mais em São Paulo, de onde apura e escreve sobre os principais assuntos da maior cidade do Brasil.

Integrante do Núcleo Nacional, cobre política, economia, segurança pública e o que mais impacta a população do estado. Acompanha especialmente movimentações políticas e o que acontece na Grande São Paulo, incluindo a capital paulista, Guarulhos, Campinas, São Bernardo do Campo, Osasco e a região.

Formada pela UniRitter, em Porto Alegre, trabalha com comunicação desde 2020 e tem experiência em redação multimídia e edição de conteúdo, com passagens por portais de notícias e jornal impresso. Foi repórter nas Eleições 2022 e integrou o Projeto Comprova, iniciativa nacional de checagem de fatos.

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