Visita de Xi aos EUA sem passar pela ONU visa demonstrar estatura global da China

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Fonte da notícia: Valor Valor

O presidente chinês, Xi Jinping, não passará pela Assembleia Geral das Nações Unidas durante sua visita aos Estados Unidos, uma vez que Pequim prioriza sinalizar que está em pé de igualdade com Washington.

A visita de Xi a Washington ocorrerá de quarta a sexta-feira, não deixando espaço para uma parada na sede da ONU, em Nova York.

Xi — que visitou os Estados Unidos pela última vez em novembro de 2023 para a cúpula da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec) em São Francisco — vai se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quinta-feira, data anunciada durante a visita de Trump à China em maio.

O fato de o período coincidir com a Assembleia Geral alimentou especulações de que Xi faria um discurso na ONU.

Tal discurso seria uma oportunidade perfeita para fortalecer a autoridade de Xi, disse na época um pesquisador de um centro de estudos vinculado ao Partido Comunista, que está no poder. O líder chinês poderia apelar à cooperação internacional em contraste com os Estados Unidos, que se mostram mais voltados para questões internas, demonstrando uma mudança na liderança global diante de uma reunião de líderes mundiais.

Aproveitar a visita para tomar a iniciativa tanto na estabilização das relações com os Estados Unidos quanto na definição da ordem global também poderia ter consolidado ainda mais as perspectivas de Xi de garantir um quarto mandato como líder do Partido Comunista no congresso do partido em 2027.

A última vez que Xi fez um discurso presencial na sede da ONU foi em 2015, ano do 70º aniversário da organização. Ele enfatizou o papel da China na "vitória da Guerra Mundial Antifascista" — uma referência à Segunda Guerra Mundial — ao mesmo tempo em que exaltava a legitimidade de Pequim como líder na construção da ordem internacional.

A China havia tomado medidas visando o que teria sido o primeiro discurso de Xi na ONU em cerca de 11 anos. No final de julho, Pequim e Washington tentaram organizar uma reunião em Nova York entre o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, segundo uma fonte do governo chinês a par das negociações.

A reunião também teria servido como uma sondagem preliminar para a possível visita de Xi. No entanto, os planos para uma escala em Nova York foram descartados em meados de agosto, provavelmente após a reunião anual de Beidaihe, na qual Xi e outras autoridades chinesas de alto escalão discutiram questões nacionais importantes com veteranos aposentados do Partido. Naquela época, a mídia controlada pelo Partido informou que Washington seria o seu único destino.

A mudança visava, em parte, limitar a viagem a três dias. Quando Trump visitou a China, ele chegou na noite de 13 de maio e partiu em 15 de maio. Segundo a fonte do governo chinês, Pequim priorizou transmitir ao resto do mundo a mensagem de que a China estava em pé de igualdade com os Estados Unidos.

A chegada de Xi aos Estados Unidos está prevista para a tarde de quarta-feira. Uma escala em Nova York, antes ou depois de Washington, exigiria o prolongamento da visita.

O governo de Xi estabeleceu a meta de transformar a China em um "grande país socialista moderno" até meados do século, rivalizando com os Estados Unidos nos campos econômico e militar.

Os Estados Unidos estão agora ampliando sua vantagem no âmbito econômico, enquanto a China enfrenta uma desaceleração decorrente da fraca demanda interna após o estouro de sua bolha imobiliária. Contudo, a China reforçou suas capacidades militares e está mobilizando os setores público e privado para o desenvolvimento da inteligência artificial, fator que deve determinar o crescimento econômico futuro.

Nessa disputa com os Estados Unidos pela supremacia, o governo de Xi provavelmente concluiu que apresentar Pequim como um igual a Washington contribuiria mais para reforçar sua autoridade.

Não participar da Assembleia Geral também minimiza riscos. Outro líder mundial poderia, inesperadamente, criticar a China durante o debate geral. A visita de Xi a Nova York em 2015 foi marcada por protestos antichineses nos arredores da sede da ONU, o que atraiu grande atenção.

Muitos observadores esperam que esta segunda cúpula entre Estados Unidos e China no ano se concentre na estabilização das relações bilaterais por meio de medidas como o fomento ao comércio. Considera-se pouco provável que ocorram mudanças com grande impacto econômico ou social para os dois países ou para o mundo em geral.

"Ao que parece, Xi decidiu permanecer nos Estados Unidos, nesta viagem, exatamente pelo mesmo período que Trump passou na China em maio", afirmou Scott Kennedy, consultor sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), sediado em Washington. "Há especulações de que essa decisão tenha sido motivada, em parte, pela dificuldade de elaborar uma agenda mais ampla, com resultados concretos mais significativos, para suas reuniões com Trump."

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