O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estão entre as 24 organizações que serão alvo de medidas conjuntas dos países que integram o Escudo das Américas, iniciativa liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O anúncio foi feito nesta terça-feira (22), após um pedido do governo norte-americano para que os integrantes da coalizão adotassem ações contra grupos classificados por Washington como organizações terroristas. O Brasil não participa da articulação.
A declaração prevê que os países adotem, conforme suas próprias legislações, medidas como bloqueio de ativos, restrições de entrada e vistos e responsabilização criminal de pessoas que forneçam apoio material às organizações.
A iniciativa reúne países da América Latina e do Caribe em torno de ações de segurança e combate ao narcotráfico. O grupo foi criado em março de 2026 pelo governo Trump e passou a contar com 19 países, segundo informações divulgadas sobre a coalizão. Brasil e México estão entre os países que não fazem parte da articulação.
PCC e Comando Vermelho estão na lista
As duas principais facções criminosas brasileiras aparecem na relação apresentada pelos integrantes do Escudo das Américas. A lista também inclui organizações como Mara Salvatrucha (MS-13), Trem de Aragua, Cartel de Sinaloa, Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG), Clã do Golfo, Exército de Libertação Nacional (ELN) e Sendero Luminoso.
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A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas já havia sido feita pelo governo dos Estados Unidos em junho deste ano. O governo brasileiro, porém, não adota a mesma definição e trata as facções como organizações criminosas.
A declaração conjunta não cria uma legislação única para os países participantes. Cada governo deverá aplicar as medidas previstas de acordo com suas próprias leis e obrigações internacionais.
Trump pede ação conjunta contra grupos
O anúncio ocorreu no mesmo dia em que Trump participou de uma reunião do Escudo das Américas em Nova York, durante a programação da Assembleia Geral da ONU.
Na ocasião, o presidente americano defendeu uma atuação coordenada dos países contra organizações ligadas ao tráfico de drogas e ao crime organizado.
A coalizão tem como uma de suas principais propostas ampliar a cooperação entre os países, incluindo compartilhamento de informações e ações de segurança contra organizações criminosas transnacionais.
Brasil não participa do Escudo das Américas
O governo brasileiro não aderiu ao Escudo das Américas. A ausência do país ocorre em meio a divergências entre Brasília e Washington sobre a forma de combater organizações criminosas e o narcotráfico.
Durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado, mas também destacou a soberania dos países.
A posição brasileira é diferente da estratégia defendida por Trump, que tem colocado o combate aos cartéis e ao narcotráfico entre as prioridades de sua política para o Hemisfério Ocidental.
O que é o Escudo das Américas?
O Escudo das Américas, ou Shield of the Americas, foi lançado em março de 2026 por Trump como uma iniciativa de cooperação regional voltada principalmente ao combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional.
A proposta prevê colaboração entre os países participantes em áreas como segurança, inteligência e combate a organizações criminosas que atuam além das fronteiras. Desde sua criação, novos países passaram a integrar a iniciativa.
A primeira cúpula da iniciativa ocorreu em março, nos Estados Unidos. Atualmente, a coalizão reúne 19 países, enquanto Brasil e México permanecem fora do grupo.
Como funciona a classificação dos grupos?
A inclusão do PCC e do CV na lista conjunta ocorre a partir da classificação feita pelos Estados Unidos. Isso não significa, porém, que todos os países envolvidos passem automaticamente a adotar a mesma legislação americana.
As medidas anunciadas devem ser aplicadas individualmente pelos governos, respeitando as normas de cada país.
No caso brasileiro, a legislação estabelece critérios próprios para a caracterização de terrorismo, enquanto PCC e CV são tratados pelas autoridades nacionais como organizações criminosas.
O Liberal