Durante todo o tempo de “Vicentina pede desculpas”, a grande pergunta que martela na cabeça do espectador é qual a verdadeira motivação da protagonista. Culpa? Luto? Amor? Redenção? Ou simplesmente a necessidade humana de se tentar compreender o que não tem explicação?
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Novo filme de Gabriel Martins (o mesmo do ótimo “Marte um”, de 2022), “Vicentina pede desculpas” acompanha a jornada de uma mãe que acaba de perder o filho numa situação trágica: ele era motorista de um ônibus que caiu de um viaduto, deixando outros tantos de luto como a protagonista.
A partir daí, inicia-se uma especulação sobre a causa do acidente, e muitos culpam o filho de Vicentina. Ela sai, então, batendo de porta em porta de cada parente para se desculpar.
É uma premissa criativa, que leva a uma série de encontros com diferentes tipos que ajudam a montar o quebra-cabeça sentimental em torno de Vicentina. Outro fator impressionante é o contraste entre sua determinação e sua figura física.
Vicentina é uma mulher idosa, com um problema de locomoção que a obriga a usar uma muleta, e é essa personagem que percorre a cidade se humilhando atrás de perdão. E é aí que o longa-metragem mostra sua força, principalmente pela atuação magnífica da atriz Rejane Faria, que vive a protagonista.
Há, porém, um leve desequilíbrio na jornada da heroína. Em determinado momento, o filme parece levar longe demais o sofrimento, numa sucessão de situações dolorosas, incômodas e um tanto sádicas.
Mas nada que diminua muito sua potência e a complexidade de sua protagonista. Ao fim, mais importante do que descobrir a responsabilidade pelo acidente é compreender o que motiva Vicentina a se desculpar.
Cotação: Bonequinho aplaude.
O Globo