O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (MDB), afirmou nesta segunda-feira que respeita o resultado das urnas e que confia no processo eleitoral brasileiro. Esse foi a primeira manifestação do entorno de Tarcísio de Freitas (Republicanos) depois que Flávio Bolsonaro disse que não reconheceria a reeleição de Lula ao Palácio do Planalto.
"Confio plenamente no processo eleitoral brasileiro. Trabalhamos para oferecer ao Brasil uma mudança que consideramos necessária, mas a maioria dos eleitores escolheu outro caminho, e respeito o resultado das urnas.
Causou estranheza o próprio PL ter solicitado a prorrogação da votação, ainda que em locais específicos. Além disso, o total de votos registrados após as 17 horas em todo o país foi insignificante diante da diferença entre os candidatos.
Se havia alguma dúvida quanto a essa prorrogação, o mais coerente seria tê-la questionado antes da apuração dos votos, e não somente após a confirmação do resultado", disse Ramuth, que foi reeleito junto com Tarcísio no primeiro turno. A declaração foi feita no Instagram do político.
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No dia anterior, o governador de São Paulo esteve ao lado de Flávio durante a apuração dos votos, em Brasília, mas não apareceu ao lado do presidenciável derrotado no discurso pós-vitória de Lula. Ramuth não esteve no local.
Na ocasião, Flávio afirmou que não vai reconhecer o resultado da eleição após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial. Com 100% das urnas apuradas, Lula recebeu 51,79% dos votos, contra 48,21% de Flávio, o que representa mais de quatro milhões e 400 mil votos a mais.
Aos jornalistas que estiveram na frente da casa em que acompanhou a apuração, Flávio criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de estender o horário de votação em todo o país, mas não citou que a campanha do PL pediu a extensão em cinco estados (Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul).
– O ministro Zanin atropelou a Justiça especializada prorrogando as eleições por duas horas. Houve uma quebra total de isonomia entre brasileiros de diversos estados.
Tem muita coisa que precisa ser feita antes de reconhecer esta sacanagem que ocorreu agora — disse Flávio. O candidato derrotado afirmou que vai pedir a anulação do resultado:
— É inexplicável o que aconteceu. Nas palavras de alguns ministros, as eleições deveriam ter sido anuladas.
Nós vamos usar o nosso direito, vamos pedir a anulação dessas eleições. Não vou aceitar que a regra do jogo seja mudada no meio do jogo, mais uma vez pelos amigos do Lula.
Flávio acompanhou a apuração na casa que serviu de comitê de campanha, em Brasília. O imóvel pertence ao advogado Vicente Santini, eleito suplente no Senado por São Paulo na chapa de Guilherme Derrite.
O Globo