O presidente Lula (PT) virou a eleição no segundo turno crescendo em todos os estados do Brasil. Depois de terminar a primeira rodada atrás de Flávio Bolsonaro (PL), por 45,2% a 47% dos votos válidos, o presidente reverteu a desvantagem e venceu por 51,8% a 48,2%.
A virada foi resultado de uma transferência desigual de votos. Entre os turnos, Lula ganhou 10,3 milhões de votos, contra 3,7 milhões de Flávio.
O presidente ficou com 74% dos votos adicionais conquistados pelos dois candidatos. Lula não perdeu votos em nenhum estado.
Flávio recuou em seis: Acre, Amapá, Roraima, Amazonas, Tocantins e Maranhão. O Sudeste voltou a ser decisivo.
Na região, Lula ganhou 4,8 milhões de votos. Só em São Paulo, foram 2,6 milhões a mais, um crescimento de 27,5%.
O Nordeste acrescentou outros 3 milhões de votos à votação de Lula. Flávio ganhou apenas 400 mil na região.
Lula virou o resultado em 211 municípios que haviam dado vitória a Flávio no primeiro turno. A mudança nesses municípios reduziu em mais de meio milhão de votos a vantagem que o senador havia construído sobre o presidente na primeira rodada.
Minas lidera com folga a lista de municípios que viraram de Flávio para Lula: 76; em seguida vêm SP (32), PR (20), RS (19) e GO (14). As maiores viradas estão na Região metropolitana de BH (Ribeirão das Neves, Santa Luzia, Ibirité, Sabará, Nova Lima) e nas cidades da mineração próximas (Itabirito, Congonhas, Ouro Branco, João Monlevade).
O que é compatível com a migração dos votos dos candidatos eliminados. Abstenção caiu
A participação também mudou. A abstenção caiu 1,9 ponto percentual no país, incluindo o exterior, e recuou em 19 estados, sem relação clara com a força de Lula ou Flávio nos municípios.
Inscreva-se no canal de notícias do JOTA no WhatsApp e fique por dentro das principais discussões do país! O Norte foi a exceção: a abstenção subiu nos sete estados da região, onde se concentram quatro dos seis maiores recuos de Flávio, mas também atingiu áreas em que Lula tinha mais força.
No Sudeste, a abstenção caiu de forma expressiva, com recuo de 2,7 pontos em SP. No conjunto, os movimentos se compensaram.
O recorte por cidades mostra outra dimensão do fenômeno: a abstenção foi menor nos municípios disputados, em que Lula e Flávio ficaram entre 45% e 55% (-2,4 pp). Nessa faixa estão muitas cidades grandes do Sudeste e do Sul.
Nos redutos de Lula, a abstenção caiu menos (-1,3 pp). Uma explicação possível é que eles já tinham comparecimento alto no 1º turno (80%–81%) e menos espaço para crescer.
Um plebiscito vencido com promessa de mudança A eleição foi um plebiscito sobre o governo, e Lula venceu prometendo um mandato diferente do atual.
A campanha explorou o receio de uma volta da família Bolsonaro ao Planalto, mas também apostou na defesa do legado petista. Na campanha, Lula falou muito do presente e do passado, o que lhe rendeu críticas.
O discurso sobre o passado, porém, também cumpriu uma função eleitoral. Ao defender as conquistas de seus governos e os programas sociais, Lula transformou a continuidade em argumento para evitar uma mudança de rumo.
Assine gratuitamente a newsletter Últimas Notícias do JOTA e receba as principais notícias jurídicas e políticas do dia no seu email A vitória vai além do Planalto.
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O Congresso continuará sendo um contrapeso a eventuais excessos do Executivo. O equilíbrio entre os Poderes seguirá no centro das disputas institucionais.
A sucessão da polarização A conclusão política mais relevante talvez esteja no horizonte de 2030.
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A eleição de 2026 não encerra a polarização. Inaugura a disputa por sua sucessão.
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