A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira, revela um movimento do eleitorado "muito negativo" para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. A avaliação é da colunista do GLOBO Vera Magalhães, que aponta a dificuldade da campanha petista em sair de um momento especialmente "delicado", marcado pela oscilação negativa da avaliação do governo e pela crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF) em meio à revelação de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ministro relator da trama golpista Alexandre de Moraes. O levantamento mostra Lula na liderança do cenário simulado de primeiro turno, com 36%, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 29%, e por Augusto Cury (Avante), com 8%. Eleitores que dizem que votarão em branco, nulo ou não vão votar representam 8%, e os indecisos são 10%. Apesar da estabilidade na disputa, na comparação com a sondagem anterior, de 2 de setembro, Vera ressalta que o dado mais "alarmante" para o petista é a percepção sobre a corrupção. — De uma semana para outra, o indicativo que mais variou é a importância que as pessoas conferem à corrupção como problema importante do país. E isso coincide com a semana da eclosão da maior crise da história do Supremo Tribunal Federal. Mas se a crise é no Supremo, por que que isso deveria preocupar Lula? Porque a gente sabe que o ministro Alexandre de Moraes, que é o principal foco desse momento de crise do STF, é muito associado pelo eleitorado ao presidente Lula, ao governo, pela forma como empreendeu o enfrentamento do 8 de Janeiro e da trama golpista que acabou com a condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro — destaca a jornalista. Vera Magalhães: 'Movimento revelado pela Quaest é muito negativo para Lula' Para o novo levantamento, a Quaest foi a campo entre os dias 4, sexta-feira, e 7, esta segunda-feira. Pegou, portanto, a repercussão das novas revelações do caso Master, que atingiram sobretudo Moraes e deram munição a aliados de Flávio. Na análise em vídeo, Vera ressalta ainda que Flávio conseguiu consolidar o empate com Lula num eventual segundo turno: 41% a 41%. Na projeção passada de segundo turno entre Lula e Flávio, o petista havia observado sua vantagem, que chegou a ser de oito pontos em julho, cair para um: 42% a 41% — cenário de empate técnico. A piora do presidente coincidiu com as novas frentes de investigação envolvendo o filho mais velho, Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha. O melhor resultado do petista este ano foi justamente há dois meses, quando o primogênito de Jair Bolsonaro (PL) estava em crise com a madrasta, Michelle (PL). Além disso, enquanto a avaliação do governo nas duas perguntas da Quaest oscila negativamente, apostas da gestão petista para um impulso da campanha, como a votação do fim da escala 6x1, ficaram para depois de os eleitores irem às urnas no primeiro turno. — A gente sabe que a avaliação negativa assim na boca da eleição é um indicativo muito ruim para qualquer candidato incumbente, ou seja, aquele que tenta renovar o seu mandato. E a de Lula, a reprovação está acima da aprovação. Os dados relativos à economia são todos eles negativos. As pessoas têm a sensação de que a renda delas não cresce na mesma proporção dos preços das coisas — ressalta Vera. A pesquisa Quaest anterior, a primeira depois do início da campanha e da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, atestou a ascensão de Augusto Cury (Avante), que cresceu oito pontos em pouco mais de duas semanas e se isolou em terceiro (segundo aquele levantamento, com 10%, impulsionado pelo eleitorado chamado de "independente" — aquele que não se diz nem lulista, nem bolsonarista, tampouco de esquerda ou de direita). Agora, o psiquiatra aparece com 8%, o que também representa a consolidação de um desafio para as campanhas de Lula e Flávio. — Lula não tem um discurso novo, um discurso de uma grande novidade para oferecer esperança para esse eleitor que também ainda aparece em busca de alguma novidade. Augusto Cury, que na semana passada tinha aparecido com 10%, agora vem com 8%, uma onda que parece não ter crescido, pelo contrário, refluiu dentro da margem de erro. Mas, quando questionados, os eleitores independentes ainda demonstram estar à procura de um candidato que não seja nem Lula nem Flávio Bolsonaro — pontua Vera.
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Vera Magalhães: 'Movimento revelado pela Quaest é muito negativo para Lula'; assista à análise em vídeo
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O Globo
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