Quando criança, a sergipana Janete se encantou por uma figura lendária de Aracaju: o prático Zé Peixe. — Prático é aquele profissional que orienta os navios a entrarem nos portos, para não encalharem. E Zé Peixe nadava em mar aberto para buscar as embarcações, daí ganhou esse apelido. Eu ficava fascinada ouvindo as histórias sobre ele — relembra ela, que também ganhou uma alcunha que traz pela vida: — Nasci com os olhos mais puxadinhos, e meu pai me apelidou de China. Meus irmãos, que não sabiam pronunciar o “ch”, passaram a me chamar de Tina. E assim ficou, até hoje. Pois Tina Correia agora tem um prático para chamar de seu: no livro “Fidiguido” (Selo Beiral, Editora 7Letras, 264 páginas, R$ 89), o personagem Guido é um exímio nadador. O romance tem noite de autógrafos nesta terça-feira (8), a partir das 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon (Av. Afrânio de Melo Franco 290, loja 205-A).
A capa do livro "Fidiguido", de Tina Correia Reprodução Esse é o segundo lançamento da escritora, hoje radicada no Rio e com 73 anos. Ele chega uma década depois do elogiado “Essa menina – De Paris a Paripiranga”. A nova obra é pontuada por expressões nordestinas, músicas e referências à tradição popular. Trata-se de uma saga de amor, desejo, humor e sobrevivência. — Lá em casa, o rádio ficava ligado o dia inteiro. Então, meus irmãos (ela é a sétima entre 13) sempre cantavam e declamavam poesias. Imersa nesse universo, absorvi pra minha escrita. Coloquei algumas dessas poesias e dessas músicas no meu texto — conta Tina, que cursou Letras em Sergipe, fez mestrado em Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e se formou em Jornalismo na Faculdade Hélio Alonso.
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