Alunas do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, localizado no município de Cambé, no Paraná, descobriram uma câmera no banheiro feminino da unidade de ensino nesta segunda-feira. A descoberta ocorreu após uma estudante olhar de perto um equipamento que emitia luz vermelha instalado na parede. Ao verificar o aparelho, foi identificada a câmera por trás do plástico. Em nota encaminhada ao GLOBO, a Polícia Civil do estado (PC-PR) informou que instaurou inquérito policial e está em diligências para apuração dos fatos. Justiça torna réus donos da Voepass e mais 11 ex-funcionários por acidente que matou 62 pessoas Ao criticar 'entraves ambientais', Flávio Bolsonaro retoma discurso do pai, a pauta contra Reserva Legal e ‘MP da Grilagem’ Nesta terça-feira (20), alunos protestaram na entrada da escola e cobraram respostas da direção. Um estudante registrou o sistema de monitoramento do Colégio e mostrou que os vídeos capturados mostravam as cabines e espelhos do ambiente. Segundo o Boletim de Ocorrência, obtido pelo g1, as alunas sabiam da existência de um equipamento no local há aproximadamente três anos, mas a direção do Colégio havia informado que o aparelho era um sensor de fumaça. As estudantes relataram que, por trocarem de roupas no banheiro, temem que “suas nudez foram indevidamente expostas e registradas sem qualquer consentimento". A Secretaria Estadual de Educação do Estado do Paraná (Seed-PR) informou ao GLOBO que a instalação de câmeras em locais que comprometam a intimidade e a privacidade dos estudantes não é permitida nas escolas da rede estadual do estado. Segundo o órgão, o tema é abordado nos encontros de formação dos profissionais, que tratam dos direitos e das garantias previstos na Constituição Federal, na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “A Seed-PR informa que a Resolução nº 5.206/2026 proíbe a instalação e o uso de câmeras em banheiros e vestiários das instituições de ensino estaduais, inclusive equipamentos externos que permitam captar imagens desses ambientes. Sobre o caso do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, a Seed-PR determinou que o Núcleo Regional de Educação (NRE) realizasse uma vistoria nesta quarta-feira e não foram encontradas câmeras nos banheiros”, diz a Seed-PR.
Em nota, o colégio confirmou ter instalado os equipamentos, mas negou captar imagens de dentro das cabines do banheiro. A unidade de ensino pontuou que as câmeras não eram direcionadas aos sanitários e afirmou que foram registrados atos de vandalismo no local, com a retirada à força das câmeras dos acessos aos banheiros. “Esclarecemos que as câmeras mencionadas estavam direcionadas às portas de entrada dos banheiros masculino e feminino, sem captar os espaços destinados às necessidades fisiológicas dos estudantes. Sua finalidade era acompanhar os acessos e contribuir para a segurança escolar”, disse o Colégio ao g1.
O Globo