A luz da piscina do Copa invade a sala, o verde se mistura aos tons da madeira. Espelhos repetem o painel de Luiz Zerbini sobre as mesas de marchetaria.
Os pratos chegam um a um, entre conversas e brindes com vinho. A comida junta o sul da Itália à gema do Rio.
Construído como um palco para a gastronomia, o Lumio celebra a cozinha como forma de arte. Sob o comando do napolitano Nello Cassese, o jantar começa com a pizza frita, queridinha dos habitués do Cipriani, de volta à cena no serviço de pães.
Na sequência, o clássico napolitano mozzarella in carrozza ganha nova interpretação, com uma massa que reproduz as texturas do pão usado na receita tradicional. Restaurante Lumio
Ana Branco Servido com sauté de vôngoles, o crudo de peixe da costa fluminense leva o gostinho do verão mediterrâneo para a Praia de Copacabana.
Entre os protagonistas, o cordeiro del Sud reúne diferentes cortes do animal, selecionados em parceria com produtores locais. “Quero preservar a tradição da culinária italiana, incorporando sabores presentes em toda a América do Sul”, diz.
“A ideia é criar uma cozinha em que essas identidades se encontrem de maneira natural, sem que uma se sobreponha à outra.” Chef Nello Cassese
Ana Branco Na nova fase, ingredientes de diferentes regiões do Brasil ganham projeção internacional no endereço que há mais de um século recebe visitantes de todas as partes do globo.
Camarão carabineiro, variedade vermelha encontrada no Sul, cumaru e cupuaçu, ambos da Amazônia, revelam o espírito cosmopolita da casa, sem perder suas raízes italianas. Peixe branco, salsinha, sauté de vongole
Ana Branco À frente do Cipriani desde 2016, o chef acompanhou a transformação do Edifício Piscina, cuja reforma completa encerrou o ciclo do restaurante que conquistou uma estrela Michelin.
O Lumio preserva o legado, mas assume identidade própria. Com capacidade para apenas 38 pessoas por noite (metade da anterior), aposta num atendimento intimista: “Preservamos o rigor técnico, a atenção aos detalhes e o cuidado com o serviço que sempre fizeram parte do trabalho”.
Joia da cidade, o restaurante do Copa tem lugar na memória afetiva de quem frequenta o hotel. A estilista Lenny Niemeyer guarda lembranças de infância das refeições com o pai.
Numa dessas ocasiões, conheceu Juscelino Kubitschek (1902-1976), que lhe deixou uma dedicatória num cardápio de 1957. “É emocionante pensar que o Copa atravessa gerações e continua sendo cenário de histórias tão especiais”, diz Lenny.
Vizinha de muro do hotel, no Edifício Chopin, Narcisa Tamborindeguy aguarda ansiosamente a novidade: “Tudo ali é sofisticado, maravilhoso.” Cordeiro del Sud
Ana Branco Responsável pelo projeto, o arquiteto Ivan Rezende buscou inspiração nos salões modernistas do Palácio Capanema e na própria arquitetura do Edifício Piscina.
“O design do restaurante enfatiza as linhas precisas do estilo art déco tardio da fachada, valorizando a sequência de colunas do edifício”, explica. O ambiente evoca o glamour dos anos 1950, com paredes revestidas de pau-ferro, mosaicos de pedras brasileiras e losangos que se multiplicam nos mármores e espelhos.
“Reforçando a ideia de um caleidoscópio cultural”, completa Ivan. A composição guarda referências à commedia dell’arte italiana e às fantasias dos antigos carnavais brasileiros.
Arquitetura, arte e gastronomia se combinam para transformar o ato de comer em espetáculo. Restaurante Lumio
Ana Branco O painel de Luiz Zerbini ocupa lugar de destaque no salão.
“É tradição histórica artistas pintarem bares e restaurantes, um costume que vem se repetindo há séculos. Fiquei feliz por ter meu trabalho instalado num dos edifícios mais icônicos da cidade”, exalta o artista.
“Esse convite foi um presente para quem ama o Rio e uma boa comida.” Restaurante Lumio
Ana Branco Na adega, o sommelier Ed Arruda reuniu mais de 400 rótulos, com atenção especial a pequenos produtores italianos e brasileiros.
Os vinhos acompanham o menu degustação de 14 etapas (R$ 950) em três propostas de harmonização, de R$ 750 a R$ 5.800. Há também uma opção sem álcool.
Para quem deseja acompanhar de perto o trabalho da cozinha, a Mesa do Chef Dom Pérignon acomoda até seis pessoas.
O Globo