Enquanto CNN, MS NOW e Politico aguardam uma audiência judicial na quarta-feira sobre a decisão do presidente Donald Trump de bani-los das dependências da Casa Branca, jornalistas dos três veículos cobriram nesta terça-feira a visita do presidente à Assembleia Geral das Nações Unidas usando credenciais de imprensa emitidas pela ONU. Leia também: Após banir imprensa, Casa Branca lança 'Trump TV' com elogios e destaques da gestão do presidente dos EUA CNN, MS NOW e Politico processam Trump por proibição de acesso à Casa Branca Trump ameaça ‘aniquilar’ Irã e promete 'libertar' Cuba em discurso na ONU
“Estou surpreso que a CNN esteja aqui me cobrindo, vocês não deveriam estar aqui”, disse Trump nesta terça-feira ao entrar no prédio das Nações Unidas e falar com um grupo de jornalistas. “Vocês disseram que não iam me cobrir.”
A CNN não afirmou que deixaria de cobrir Trump.
Trump anunciou o banimento na sexta-feira pelas redes sociais, afirmando que os três veículos “não deveriam poder escrever ou noticiar constantemente FICÇÃO e MENTIRAS quando estão cobrindo o presidente dos Estados Unidos”, e voltou a defender a decisão em outra publicação na segunda-feira.
Os veículos processaram Trump e outros integrantes de seu governo na segunda-feira, alegando que a medida violou as proteções à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa garantidas pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA. Eles pedem à Justiça federal em Washington uma ordem temporária para suspender a decisão de Trump. Uma audiência está marcada para quarta-feira perante o juiz federal Timothy Kelly.
Mais tarde nesta terça-feira, jornalistas em Nova York perguntaram a Trump se ele permitiria que os veículos voltassem à Casa Branca caso a Justiça decidisse contra o banimento.
Trump respondeu que “este é um juiz que não é particularmente justo”. E acrescentou: “Mas estou falando de segurança nacional. Acho que temos o direito de nos livrar das notícias falsas.”
Trump nomeou Kelly para o cargo de juiz federal em 2017, durante seu primeiro mandato como presidente. Em 2018, Kelly decidiu contra Trump em um caso envolvendo um jornalista da CNN que recorreu à Justiça depois de ter sua credencial de imprensa da Casa Branca revogada.
O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com repórteres na Casa Branca, em Washington. REUTERS/Elizabeth Frantz Embates com a imprensa Trump rompeu com décadas de tradição ao negar acesso básico a diversas grandes organizações jornalísticas, atacar pessoalmente jornalistas por causa de suas reportagens e privilegiar veículos considerados mais simpáticos ao governo. Trump também abriu processos contra diversos veículos de comunicação.
A CNN é uma das cinco organizações jornalísticas — ao lado de ABC, CBS, Fox News e NBC — que compõem o principal pool de televisão da Casa Branca. As emissoras dividem os custos da cobertura do presidente, revezam-se na organização da cobertura e compartilham as imagens com veículos de todo o país.
A CNN estava escalada para cobrir na segunda-feira a viagem de Trump a Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas, mas não conseguiu fornecer o sinal compartilhado do pool. Em resposta, as outras grandes redes de televisão suspenderam a cobertura do presidente pelo pool.
Na tentativa de preencher essa lacuna, a Casa Branca lançou na segunda-feira uma transmissão chamada “Trump TV”. Segundo a Casa Branca, o canal exibirá vídeos e destaques do que classifica como realizações do governo Trump. Um defensor da liberdade de imprensa afirmou que a iniciativa equivalia a “uma dieta constante de propaganda governamental”.
Durante entrevista ao programa “Today”, da NBC, nesta terça-feira, o secretário de Estado Marco Rubio não respondeu quando questionado sobre se faria mudanças no grupo de jornalistas que viaja com ele.
Questionado sobre se veículos de comunicação deveriam ser banidos porque o presidente não gosta da cobertura que fazem, Rubio repetiu uma afirmação feita pelo vice-presidente J.D. Vance um dia antes, dizendo falsamente que os veículos não haviam sido banidos, quando, na realidade, perderam o acesso às dependências da Casa Branca.
“Eles não estão banidos. [...] Não estamos fechando a CNN. [...] Eles simplesmente não têm permissão para trabalhar no espaço destinado à imprensa na Casa Branca”, disse Rubio.
Valor