Vandalismo no Clube da Esquina mobiliza PC e Damião em BH: "Vou te pegar"

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Fonte da notícia: Metropoles Metropoles

Belo Horizonte — A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga a autoria do ato de vandalismo no memorial do Clube da Esquina, localizado na tradicional esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro Santa Tereza, Região Leste de Belo Horizonte. O local amanheceu com manchas de tinta vermelha nesta sexta-feira (23/10).

O prefeito Álvaro Damião foi até o local, garantiu que o responsável será encontrado e avisou: “Eu vou te pegar”. Em vídeo publicado em suas redes sociais, o prefeito começou destacando a importância do local: “Um dos principais patrimônios da história cultural de Belo Horizonte, de Minas e do Brasil, e vieram aqui e jogaram essa tinta para vandalizar o que é de Belo Horizonte, de nós mineiros e de nós brasileiros — porque o Clube da Esquina atingiu o mundo.

Eu vou dar um recado para você que fez isso: eu vou te pegar, eu vou te pegar”, disse. Por meio de nota, a PCMG disse que a perícia oficial foi acionada para identificar e coletar vestígios no local.

“Uma equipe de policiais já está em campo com o objetivo de realizar os levantamentos necessários para a identificação e responsabilização dos envolvidos”, informou o órgão no início da tarde. Até o momento, ninguém foi preso.

Damião lembrou o caso do autor de uma pichação no bairro Horto, na mesma região, que foi responsabilizado recentemente. No início do mês, o homem que pichou um pontilhão recém-restaurado foi identificado e multado em R$ 2 mil.

Após ser localizado, ele também teve de retornar ao local para apagar a própria pichação. “Do mesmo jeito que eu peguei o ‘Gordin’ do Horto, que pichou o Horto, eu vou te pegar também.

E vou pegar todos vocês que saem de casa para vandalizar a cidade”, completou. Mais cedo, Yé Borges, irmão de Lô Borges, esteve no local e contou à imprensa que, segundo uma testemunha, a pessoa responsável pelo vandalismo gritou “Fora Lula”.

“A senhora que mora aqui, depois que foi jogada a tinta, escutou a pessoa gritando ‘Fora Lula’. Não precisa disso.

Vota em quem quiser, vota no 22, vota onde você quiser. Mas não precisa agredir ninguém.

Não precisamos chegar a essas vias, cara. Isso é péssimo para a sociedade”, lamentou.

Diante disso, um ato está sendo mobilizado por coletivos de esquerda para ocupar a esquina às 17h13. “Hoje, a esquina mais famosa do mundo amanheceu com sinais do ódio da extrema-direita.

Em uma clara tentativa de intimidação às vésperas das eleições, fascistas covardes vandalizaram um dos maiores símbolos da nossa arte e da nossa música, berço de uma das histórias mais lindas do mundo: o encontro do Clube da Esquina”, diz a nota. Um post compartilhado por Na Esquina do Clube (@naesquinadoclube)

O local é um dos pontos simbólicos da história musical da capital mineira. O Clube da Esquina foi um movimento musical que surgiu em Belo Horizonte, entre as décadas de 1960 e 1970, reunindo artistas como Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Márcio Borges.

A esquina se tornou um marco da cidade por sua ligação com os encontros e a trajetória dos músicos. O episódio ocorreu a três dias do aniversário de Milton, que completa 84 anos na próxima segunda-feira (26/10).

O Bar do Museu Clube da Esquina funciona como espaço cultural e gastronômico dedicado à memória do movimento. O estabelecimento reúne fotografias, discos e objetos históricos, além de promover apresentações musicais e exposições.

Esquina do 'Clube da Esquina' é vandalizada em BH Esquina do 'Clube da Esquina' é vandalizada em BH

O local também foi palco de uma homenagem ao cantor e compositor Lô Borges, que morreu em 2 de novembro de 2025, aos 73 anos, em decorrência de falência múltipla de órgãos. No dia seguinte à morte do artista, amigos, familiares e fãs se reuniram na esquina para prestar uma última homenagem.

O público levou flores e velas, enquanto músicos realizaram apresentações de canções que marcaram a trajetória do artista. O Metrópoles também tenta falar com os responsáveis pelo memorial para saber quais medidas serão adotadas após o ocorrido, mas não teve resposta até a publicação da reportagem.

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