Urna é confiável e Starlink não participa da apuração, diz especialista

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

A especialista em políticas digitais Renata Mielli, coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), afirmou em entrevista ao programa Boa Noite 247, da TV 247, que a Starlink, empresa de satélites do bilionário Elon Musk, não tem nenhum papel na apuração dos votos e que as urnas eletrônicas brasileiras são confiáveis.

Segundo ela, a companhia se limita a transportar arquivos criptografados de regiões remotas até o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “A Starlink não participa da apuração dos votos.

A urna eletrônica é confiável. O voto é confiável”, afirmou.

O assunto mobiliza as redes a dias do pleito do domingo 25, data do segundo turno das eleições gerais. A desconfiança nasce da identidade do dono da empresa, e não de qualquer falha documentada.

De quem vem o receio Musk controla a Starlink e é dono da rede social X, o antigo Twitter.

Em 2024, ele protagonizou o maior choque entre uma plataforma estrangeira e o Estado brasileiro ao desobedecer ordens do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O X ficou fora do ar por cerca de 40 dias no país, e contas da Starlink chegaram a ter valores congelados pela Justiça até o pagamento das multas acumuladas.

Os valores bloqueados foram usados para quitar as multas. O ataque ao sistema eleitoral é bandeira antiga do bolsonarismo.

Jair Bolsonaro passou anos questionando a segurança das urnas sem jamais apresentar prova, e a derrota de 2022 seguiu negada por parte do movimento até os atos de 8 de janeiro de 2023. Musk havia insinuado, em outubro de 2022, que as urnas brasileiras não mereciam confiança, também sem evidência.

A Justiça Eleitoral repudiou a declaração na época. A urna não conversa com a internet

A urna eletrônica é um computador isolado que não se conecta à rede durante a votação. Cada voto é gravado individualmente e de forma criptografada na memória do equipamento.

Encerrada a votação, a máquina produz o boletim de urna, impresso e afixado na porta da seção eleitoral. O mesmo resultado segue em arquivo digital, protegido por assinatura digital, espécie de selo que denuncia qualquer alteração no caminho.

A totalização feita pelo TSE apenas soma os boletins de todas as urnas. Nas eleições de 2022, o tribunal publicou na internet o boletim de cada uma das cerca de 472 mil seções eleitorais dos 5.570 municípios do país, em consulta aberta a qualquer eleitor.

Transporte lacrado A contribuição da Starlink fica restrita ao trecho em que a conexão convencional não chega.

“A única coisa que a Starlink vai fazer é fazer a transmissão de um local das regiões mais remotas para o TSE numa intranet. É uma rede que não é ligada à internet”, explicou Mielli.

A imagem é a de um caminhão que transporta carga lacrada. O transportador carrega a caixa, mas não guarda a chave nem pode abrir o conteúdo.

Mielli destacou que a criptografia existe justamente para impedir que alguém no caminho leia ou altere os arquivos. Na chegada ao TSE, mecanismos de autenticação e verificação de integridade confirmam que o documento recebido é idêntico ao produzido pela urna.

O desenho é posto à prova antes de cada eleição majoritária. Desde 2009, o TSE promove o Teste Público de Segurança, que convida pesquisadores e cidadãos inscritos a tentar burlar o sistema, e as falhas apontadas pelos participantes são corrigidas antes do pleito.

Partidos e coligações mantêm ainda fiscais acompanhando testes, votação e totalização, direito previsto em lei. Quem audita o processo é a Justiça Eleitoral, e não o fornecedor do sinal.

No domingo 25, data do segundo turno das eleições gerais, o transporte dos arquivos seguirá fechado e o boletim de cada seção ficará aberto na internet. O eleitor poderá conferir, com o próprio olho, o que a máquina registrou.

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