Uma noite maldormida tem menos impacto no cérebro de pessoas mais velhas, revela ciência

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O impacto de uma noite maldormida pode diminuir com o passar do tempo. Cientistas da Universidade Simon Fraser, no Canadá, analisaram como o cérebro se comporta quando o tempo de descanso noturno é insuficiente.

E concluíram que pessoas mais velhas se adaptam melhor a episódios de privação de sono. A pesquisa, publicada na revista Imaging Neuroscience, comparou as redes cerebrais de adultos jovens, com idades entre 20 e 30 anos, às de pessoas mais velhas, entre 65 e 75 anos.

Os resultados sugerem que uma noite isolada de sono insuficiente altera menos os padrões de um cérebro mais maduro, preservando o seu funcionamento. Os pesquisadores analisaram como as conexões do cérebro funcionam em cada etapa da vida.

A conectividade cerebral descreve como a atividade de diferentes regiões do cérebro está interligada. Conexões mais fortes não significam necessariamente que o órgão esteja funcionando com maior eficiência.

A organização dessas conexões também importa. Em uma rede mais modular, as regiões se organizam em grupos, com conexões relativamente mais fortes dentro de cada grupo do que entre grupos diferentes.

“O que descobrimos foi bastante surpreendente: os cérebros de adultos mais velhos e mais jovens responderam de maneiras efetivamente opostas à privação aguda de sono. Algumas conexões nos cérebros dos adultos jovens apresentaram aumento de conectividade em resposta à redução do tempo de sono, enquanto essas mesmas conexões nos cérebros dos adultos mais velhos mostraram diminuição”, afirmou o pesquisador principal do estudo, Josh Neudorf, membro afiliado do Instituto de Neurociência e Neurotecnologia da universidade, ao SciTechDaily.

Neudorf explica que os cérebros jovens fazem mais esforço para manter suas funções na privação de sono: “Essa redução da conectividade favorece uma organização modular mais eficiente do cérebro como um todo.

Em outras palavras, o cérebro passa a funcionar de maneira mais eficiente para manter a função cognitiva. Em contrapartida, o aumento da conectividade nos cérebros mais jovens sugere que eles precisam trabalhar mais para preservar seu funcionamento”, disse.

Embora o estudo não traga explicações definitivas para esse fenômeno, os pesquisadores levantam a hipótese da compensação, processo pelo qual um cérebro em envelhecimento reorganiza suas redes e utiliza estratégias diferentes para manter o funcionamento. Isso em um momento da vida em que reconhecidamente o sono tende a ter qualidade.

Porém, os autores do estudo ressaltam que a capacidade aumentada de se ajustar a uma noite ocasional de sono curto não significa que dormir pouco regularmente seja inofensivo. Manter um descanso noturno de boa qualidade é importante em todas as fases da vida.

Ao longo dos anos, a privação de sono pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, problemas de peso e câncer colorretal. A demência é outra preocupação.

Uma das coautoras do estudo, Brianne Kent, é professora assistente de psicologia, diretora associada do Instituto de Neurociência e Neurotecnologia da universidade e titular de uma cátedra de pesquisa do Canadá em Neurociência Translacional e Demência, destaca que muitas interrupções do sono podem aumentar o risco de neurodegeneração por acúmulo da proteína chamada beta-amiloide no cérebro.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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