UFSC entra para grupo seleto de universidades que oferecem aulas de culinária para estudantes de Medicina

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

A medicina culinária é uma abordagem multiprofissional que utiliza a culinária como ferramenta para orientar a prevenção e o tratamento de doenças Estudantes do quinto semestre de Medicina da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) começaram a ter aulas de culinária voltadas à promoção da saúde e à prevenção de doenças.

A primeira disciplina de medicina culinária da instituição teve início no dia 19 de outubro, no Laboratório de Técnica Dietética do CCS (Centro de Ciências da Saúde). No Brasil, a UFSC é a quinta universidade a oferecer a disciplina, que já está presente na USP (Universidade de São Paulo), na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

As aulas são ministradas por Manuela Mika Jomori, professora do Departamento de Nutrição e coordenadora do projeto Nutrição na Cozinha. Segundo a universidade, a proposta é aproximar os futuros médicos dos conhecimentos sobre alimentação saudável, combinando conceitos de nutrição, educação médica e atividades práticas na cozinha.

A medicina culinária é uma abordagem multiprofissional que utiliza a culinária como ferramenta para orientar a prevenção e o tratamento de doenças. Um dos princípios da disciplina é o aprendizado prático, conhecido pela expressão em inglês “hands on”, que incentiva os estudantes a preparar receitas saudáveis.

A medicina culinária surgiu nos Estados Unidos, em 2003, inspirada no movimento “Food Is Medicine”, expressão que pode ser traduzida como “Comida é Remédio”. A ideia é reconhecer a alimentação equilibrada como uma ferramenta para promover saúde e prevenir doenças, e não como substituta literal de medicamentos.

A partir de 2007, médicos e pesquisadores de Harvard ampliaram o movimento para incentivar a inclusão da abordagem nos currículos de Medicina. A iniciativa surgiu da percepção de que os profissionais precisavam aprofundar o conhecimento sobre alimentos para orientar melhor os pacientes.

Segundo Manuela, a desinformação médica sobre nutrição também pode contribuir para problemas de saúde pública. Na UFSC, a disciplina de medicina culinária é estruturada em quatro pilares: comunicação popular, conceitos fundamentais da nutrição, autocuidado médico e desenvolvimento de habilidades culinárias.

A prática na cozinha tem papel central nesse processo. Ao preparar os próprios alimentos, os estudantes podem desenvolver habilidades necessárias para incentivar o consumo de alimentos in natura e reduzir a utilização de produtos ultraprocessados, conceito alinhado com as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira.

Segundo Manuela, a preparação de alimentos naturais exige conhecimentos específicos, que nem sempre fazem parte da rotina das pessoas. “Temos que dar prioridade a esses alimentos naturais ao invés de usar ultraprocessados, como lanches, comidas e temperos prontos.

A preparação dos in natura requer habilidades culinárias específicas. Não é fácil manipular legumes e verduras, pois eles precisam ser lavados, descascados e picados”, explica.

A professora avalia que a experiência prática também ajuda os futuros médicos a orientar os pacientes com mais propriedade sobre escolhas alimentares. Outro eixo da disciplina é a comunicação popular, voltada a combater mitos e informações falsas sobre alimentação.

Para Manuela, é importante que os profissionais saibam explicar os conceitos nutricionais de forma acessível e baseada em evidências científicas. “Existe muito conteúdo falso e mitos na linguagem médica.

Como o uso excessivo de proteína, usar o próprio termo ‘proteína’ ao invés do nome de alimentos que são fonte de proteína, algumas divulgações do que faz bem para isso ou para aquilo, mas não tem nenhuma evidência”, afirma. O quarto pilar é o autocuidado médico.

A proposta é incentivar os próprios estudantes a refletir sobre os hábitos alimentares e a importância de adotar uma rotina saudável, para que possam também orientar os pacientes pelo exemplo. “Vocês estão se alimentando bem? Como funciona a escolha de alimentos que vocês vão comer durante o dia?”, questiona a professora aos alunos durante as aulas.

Gabrielle Tavares atua como repórter do portal ND Mais, onde escreve sobre os assuntos que dominam o noticiário de Santa Catarina, cobrindo segurança pública, cotidiano, política, economia, saúde e mais. Além de produzir textos, é repórter multimídia e participa de conteúdos em vídeo publicados nas redes sociais.

Jornalista desde 2020, é formada pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e tem experiência em portais de notícias, TV e redações multimídia. Cursa pós-graduação em Direito Penal e Criminologia na PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e venceu o Prêmio Mário Petrelli de Jornalismo 2025 e o Prêmio Sistema Famasul de Jornalismo 2019.

Atuou na cobertura eleitoral de 2022, reportando diretamente de colégios eleitorais e entrevistando eleitores e candidatos. Leia mais ▾

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