Único caso confirmado na Nigéria no mais recente surto mortal de Ébola em África foi transportado de avião da capital, Abuja, para a Suíça, na segunda-feira. Uganda, declarada livre da doença em agosto, reforçou no domingo os controlos fronteiriços em resposta.
A doente evacuada, uma cidadã suíça de 42 anos e mulher de um funcionário de embaixada colocado em Abuja, tinha viajado com o marido para o Uganda antes de regressar à Nigéria. Não visitou a RDC e acredita-se que tenha contraído o vírus no Uganda, informou o Departamento Federal dos Negócios Estrangeiros da Suíça à Associated Press na sexta-feira.
O Ministério da Saúde do Uganda afirmou em 23 de outubro (fonte em inglês)que a doente não apresentava sintomas quando deixou o país, acrescentando que decorrem investigações para determinar quando começaram os sintomas e como se infetou. O seu estado estava “bastante melhorado, estável, consciente, a comunicar, e os resultados dos exames laboratoriais clínicos a aproximarem-se dos valores de base”, afirmou o ministro da Saúde da Nigéria, Muhammad Ali Pate, numa publicação na X (fonte em inglês).
“Isto não significa que deixou de ser contagiosa”, acrescentou. As autoridades de saúde nigerianas identificaram 53 contactos da doente, incluindo profissionais de saúde, familiares e pessoal doméstico.
No domingo, anunciaram que alargaram a procura de potenciais casos, rastreando mais nove contactos. O marido não apresentou quaisquer sintomas e permanece em isolamento.
Pate afirmou na sexta-feira que a infeção da mulher parecia estar estreitamente ligada ao primeiro caso registado no Quénia, mas advertiu que isso não estabelecia necessariamente a via de transmissão. Não se trata do primeiro caso em que um doente é transportado para a Europa para receber tratamento.
Desde maio de 2026, três pessoas infetadas com Ébola associado ao surto foram evacuadas medicamente para a Europa para cuidados especializados: duas para a Alemanha e uma para os Países Baixos. Todas eram profissionais de saúde ou trabalhadores humanitários em zonas afetadas do Congo.
Em julho, outra pessoa foi evacuada para o Reino Unido após potencial exposição ao vírus durante o tratamento de doentes com Ébola no Congo. O Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC) tinha já indicado que os primeiros doentes na Nigéria e no Quénia viajaram ambos pelo Aeroporto Internacional de Entebbe, no Uganda, em 3 de outubro.
O país está a reforçar os controlos fronteiriços para travar a propagação do vírus e passou a exigir que os cidadãos que regressem da vizinha República Democrática do Congo permaneçam 21 dias em quarentena a expensas próprias, indicou o ministério. Quem tenha estado na RDC não pode transitar pelo Uganda, incluindo em voos fretados.
Ao abrigo das novas medidas, os viajantes congoleses não essenciais serão reenviados pelo posto fronteiriço mais próximo, a suas expensas, enquanto quem entrar ilegalmente enfrenta processos judiciais, acrescentou o ministério. “O fim da transmissão local não significa que o risco tenha terminado.
Partilhamos uma fronteira com a RDC, onde a transmissão continua, e as nossas comunidades mantêm-se estreitamente ligadas através do comércio, das viagens e de laços familiares”, declarou o Ministério da Saúde ugandês num comunicado (fonte em inglês) publicado no domingo. “Os casos recentes que envolvem viajantes da região sublinham ainda mais a necessidade de manter vigilância.”
O Uganda registou 20 casos, incluindo duas mortes. O mais recente foi confirmado em 21 de junho.
Em 27 de agosto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o fim do surto de Ébola no país após 42 dias consecutivos sem novos casos. O surto iniciado em maio na República Democrática do Congo (RDC) infetou quase 10 000 pessoas e matou mais de 4 700, segundo os dados mais recentes do país (fonte em inglês), de 21 de outubro, tornando-se o surto de Ébola de crescimento mais rápido e de maior disseminação de que há registo.
É agora o surto mais mortífero na história da RDC, com 9 800 casos, incluindo mais de 4 700 mortes. O epicentro situa-se na província de Ituri, no norte do país, onde morreram 3 298 pessoas.
Até agora, o vírus espalhou-se por outras sete províncias. O surto avançou mais depressa do que a resposta, dificultada pela instabilidade na região e pela dificuldade em chegar a algumas das comunidades mais afetadas.
A RDC assinalou também um aumento da violência contra profissionais de saúde, o que está a impedir os esforços para travar a propagação do vírus. No incidente mais recente, uma enfermeira foi morta e outro profissional de saúde ficou gravemente ferido enquanto respondiam a um alerta de Ébola, segundo a OMS.
Foram registados casos no Quénia, no Uganda e na Nigéria. O Quénia notificou o primeiro caso de Ébola de sempre no final do mês e, desde então, registou duas mortes, enquanto outros sete doentes estão a ser tratados em isolamento.
Euro News