Na noite de segunda-feira (2), a contadora Rocío Zárate depositou 1 milhão de guaranis, cerca de R$ 900, em sua conta no Ueno Bank. Ela havia sido atraída por uma promoção que oferecia cashback de 50% a clientes que aumentassem o saldo mantido no banco.
Poucas horas depois, na madrugada de terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai anunciou que a instituição havia entrado em processo de resolução. As operações foram interrompidas, e Zárate perdeu temporariamente o acesso ao dinheiro recém-depositado e aos outros 2 milhões de guaranis que já guardava no banco.
O caso foi relatado pela Bloomberg Línea. A sequência também aparece no regulamento da campanha, ainda disponível no site do Ueno: os clientes selecionados tinham entre 1º de novembro e as 23h59 do dia 2 para transferir ou depositar dinheiro na instituição.
Para receber o benefício, o saldo adicional deveria permanecer na conta até sábado (7). O anúncio do processo de resolução ocorreu pouco depois das 3h da manhã do dia seguinte ao encerramento da janela para os depósitos.
Cashback em troca de mais dinheiro na conta Batizada de “Mais saldo, mais cashback”, a campanha vinculava o valor do benefício ao aumento do dinheiro mantido pelos clientes no banco.
O cashback de 50% não incidia sobre o depósito. Ele seria aplicado a uma compra elegível feita com cartão de crédito no chamado “Dia U”, respeitando os limites definidos para cada participante.
Na prática, a promoção criava uma sequência direta: acrescentar dinheiro à conta até segunda-feira, preservar o novo saldo durante a semana e usar o cartão no sábado para receber parte do valor da compra de volta. A ação alcançou Zárate quando o Ueno já atravessava um processo de regularização conduzido pelo regulador paraguaio.
Segundo o comunicado oficial do Banco Central, ajustes realizados nos demonstrativos financeiros deixaram o índice de solvência da instituição abaixo de 50% do mínimo exigido. A decisão de iniciar a resolução foi tomada pelo conselho do BC em 2 de novembro, mesma data em que terminava o prazo da campanha para os clientes aumentarem seus depósitos.
A medida foi divulgada ao público durante a madrugada seguinte. Contas usadas por milhões de paraguaios
A interrupção ganhou dimensão nacional porque o Ueno havia se tornado uma das principais portas de entrada dos paraguaios para serviços bancários digitais. Em junho, a instituição informava ter mais de 2,9 milhões de clientes em um país de aproximadamente 6,1 milhões de habitantes.
O banco processava mais de 3 milhões de transações por dia e era utilizado por mais de 32 mil aposentados para receber benefícios previdenciários. O fechamento também afetou empresas.
A associação paraguaia de importadores e varejistas afirmou que dois terços das transações eletrônicas realizadas pelas grandes lojas do país passavam por contas do Ueno, segundo a Bloomberg. O Banco Central informou que depósitos de até 228,3 milhões de guaranis, aproximadamente R$ 205 mil, estão cobertos pelo fundo de garantia.
O limite vale por cliente, e não por conta. De acordo com as autoridades paraguaias, cerca de 97% dos depositantes têm todo o saldo protegido.
Nesta quinta-feira (5), o regulador começou a organizar os pagamentos. O primeiro grupo inclui clientes com até 10 milhões de guaranis depositados, sem dívidas com o Ueno e com uma conta ativa em outra instituição financeira do país.
Zárate disse à Bloomberg que pretende transferir o dinheiro assim que recuperar o acesso. A promoção previa que ela preservasse o saldo até sábado para receber o cashback.
O processo de devolução começou antes que o “Dia U” chegasse. Mais Lidas
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