TV em 1950 custava uma fortuna? Veja a diferença para 2026

TV em 1950 custava uma fortuna? Veja a diferença para 2026 - Foto
Fonte da notícia: Techtudo Techtudo

Comprar uma televisão em 1950 custava mais de 30 vezes o valor de um salário mínimo, enquanto hoje é possível com menos de uma remuneração básica. O primeiro aparelho vendido no país, anunciado pela Sears Roebuck em setembro daquele ano, saía por 12.950 cruzeiros, mesmo com desconto, um valor que, corrigido pela inflação, passaria de R$ 26 mil em valores atuais.

De lá para cá, o preço dos eletrônicos despencou e marcas como Samsung, LG e TCL hoje vendem modelos 4K de até 98 polegadas por frações do que custava aquela “telinha” monocromática. Para ajudar a entender melhor esse cenário, o TechTudo entrevistou o professor de marketing digital da FGV, Kenneth Corrêa, e a economista e planejadora financeira formada pela Universidade Estácio de Sá, Isabel Abreu.

Afinal, a comparação exige cuidado, pois corrigir um preço pela inflação não é a mesma coisa que converter moedas antigas, e medir o poder de compra é diferente de atualizar valores. Confira a análise!

🔎 Qual a melhor TV para comprar? Veja modelos e dicas 🔔 Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviews.

Televisores de tubo em preto e branco deram lugar às smart TVs com resolução 4K, acesso à internet e aplicativos de streaming gerado por inteligência artificial

📝 Minha geladeira parou de gelar. O que pode ser? Fórum TechTudo responde

1. Quanto custava uma TV em 1950 no Brasil?

Ao chegar oficialmente no Brasil em setembro de 1950, a televisão custava 12.950 cruzeiros na loja Sears Roebuck. Com 12,5 polegadas, a imagem do eletrônico era em preto e branco, com uma tecnologia que não lembra em nada a de hoje.

O responsável por trazer a novidade foi Assis Chateaubriand, que inaugurou o primeiro canal de TV do país, a TV Tupi. A economista Isabel Abreu coloca esse preço em perspectiva.

“Em 1950, o salário mínimo mais alto do país, pago no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, era de 380 cruzeiros. Ou seja, uma TV custava cerca de 34 salários mínimos.

Um trabalhador que ganhasse o piso precisaria juntar quase três anos de renda integral, sem gastar com mais nada, para comprar o aparelho”, explica. As primeiras TVs vendidas no Brasil tinham tela pequena, imagem em preto e branco e tecnologia de tubo

Reprodução /Ebay Mais do que caro, o aparelho era inacessível por outros motivos.

Os primeiros aparelhos eram importados; havia pouquíssimas unidades e o sinal alcançava praticamente só São Paulo. Dessa forma, a TV era um bem de status, restrito a famílias muito ricas, e muitas vezes o vizinho que tinha uma TV recebia a rua inteira na sala para assistir.

Do ponto de vista técnico, aquelas TVs eram engenhocas e trabalhadas. O especialista em tecnologias emergentes, Kenneth Corrêa, descreve o que havia dentro das caixas de madeira.

“Aquelas caixas dependiam de tubos de raios catódicos (CRT) e válvulas a vácuo que demoravam para aquecer, consumiam muita energia, tinham áudio mono, exigiam ajuste manual nos botões físicos de sintonia e sofriam com ‘fantasmas’ e chiados a qualquer mudança climática na antena, que ficava do lado de fora da casa”, afirma.

2. Quanto custaria essa mesma TV em 2026, corrigindo pela inflação?

Corrigido pela inflação, o preço daquela TV impressiona. Segundo cálculos de Kenneth Corrêa, os 12.950 cruzeiros de 1950 equivaleriam a “cerca de R$ 27 mil corrigidos até hoje pela inflação”.

Mas como se chega a esse número? A economista Isabel Abreu faz questão de separar dois conceitos que costumam ser confundidos. "Para um período tão longo, o índice mais adequado é o IGP-DI, da FGV, porque é a série de inflação com histórico contínuo desde a década de 1940.

O IPCA, que hoje é a inflação oficial, só começa em 1979, então não cobre esse intervalo”, afirma Isabel Abreu. A confusão mais comum, segundo ela, é misturar correção monetária com conversão de moeda.

Isso, pois a ecnomista lembra que o Brasil trocou de moeda várias vezes. Assim, se forem aplicados apenas os cortes de zeros e as conversões do cruzeiro até o real, os 12.950 cruzeiros virariam uma fração ínfima de centavo, algo sem nenhum significado econômico.

A conversão só muda a régua do dinheiro. Já a correção monetária mostra quanto aquele valor representaria hoje em poder de compra, considerando toda a inflação acumulada nesses 76 anos.

Vale registrar que o valor de cerca de R$ 27 mil reflete a correção feita até 2025; a cifra exata em 2026 depende do fechamento do IGP-DI do ano. Corrigido pela inflação até 2025, o preço de 12.950 cruzeiros de 1950 equivaleria a aproximadamente R$ 27 mil

Divulgação/FISL 3.

Quanto custa comprar uma TV em 2026? A diferença para os dias de hoje é brutal.

No varejo brasileiro de 2026, há televisor para praticamente todo orçamento. Modelos de entrada, com tela de 32 polegadas e sistema smart, são encontrados na faixa de R$ 1 mil ou até menos em promoção.

Na faixa intermediária, TVs de 50 a 55 polegadas com resolução 4K e tecnologia QLED aparecem entre R$ 2 mil e R$ 4 mil. Já no segmento premium, modelos grandes com telas OLED ou Mini LED, de 65 polegadas para cima, passam facilmente dos R$ 10 mil, chegando a R$ 15 mil ou mais nas versões topo de linha.

A economista resume a mudança de patamar com um dado concreto: hoje uma TV de entrada sai por menos de um salário mínimo. Com o piso de 2026 em R$ 1.621, segundo o Ministério do Trabalho, isso significa que um aparelho básico custa hoje o que um trabalhador ganha em menos de um mês, contra os quase três anos de renda exigidos em 1950.

É importante lembrar que preços de eletrônicos variam bastante e que valores promocionais, comuns em datas como a Black Friday, não representam o preço habitual. A consulta a estes valores foi feita em outubro de 2026, e os preços podem mudar.

O mercado brasileiro oferece televisores para diferentes orçamentos, desde modelos básicos de 32 polegadas até aparelhos premium Reprodução/ChatGPT

4. O que mudou na tecnologia das TVs desde 1950?

A distância tecnológica entre a TV de 1950 e a de 2026 é de outra era. Kenneth Corrêa resume a linha do tempo: “Passamos pela chegada das cores e do controle remoto entre os anos 1960 e 1970, pelas telas CRT planas nos anos 1990, pela transição para o plasma e o LCD nos anos 2000, até chegarmos à iluminação por LED nos anos 2010 e aos painéis atuais de Mini LED e OLED.” Segundo o especialista, nesses 76 anos os televisores acumularam uma deflação real superior a 99% nos índices globais de preço, o que permite que o valor da telinha de 1950 compre hoje um modelo 4K de 98 polegadas com processadores de inteligência artificial para melhorar a imagem em tempo real, e ainda sobre dinheiro.

A maior transformação, porém, não é só a imagem, e sim a conexão. “Essa convergência tirou a televisão da posição de receptor passivo de antena e a transformou no computador principal da sala de estar”, diz Kenneth.

No Brasil, ele aponta dois marcos: a transição para a TV Digital aberta e, mais recentemente, a chegada da TV 3.0, também chamada de DTV+, que une o sinal de radiodifusão aberta em 4K à internet para oferecer interatividade na tela. O streaming mudou o centro de gravidade do consumo, e o especialista cita dados da Nielsen, segundo os quais o YouTube já lidera o tempo de tela nas TVs conectadas nos Estados Unidos, à frente das emissoras tradicionais.

As TVs atuais reúnem resolução 4K, aplicativos de streaming e recursos de processamento de imagem Lucas Loyo/TechTudo

Vale a ressalva que o próprio briefing pede: nem toda tecnologia moderna está em todos os aparelhos. Resolução 4K já é padrão em praticamente todas as faixas, mas recursos como painel OLED, taxa de atualização alta para games e processadores de IA variam conforme a categoria e o preço do modelo.

5. Comprar uma TV era mais difícil em 1950 do que hoje?

Sem dúvida, e por uma combinação de fatores. A economista Isabel Abreu explica que dois movimentos aconteceram ao mesmo tempo ao longo das décadas.

O primeiro foi o crescimento da renda real do brasileiro. “Os R$ 27 mil de hoje equivalem a uns 17 salários mínimos de 2026, contra os 34 de 1950.

Ou seja, mesmo se a TV custasse o mesmo valor corrigido, ela já pesaria metade do que era”, diz. A produção em escala, a fabricação nacional a partir dos anos 1950 e 1960, a Zona Franca de Manaus e os avanços tecnológicos fizeram o aparelho ficar muito mais barato e muito melhor.

O resultado aparece nas estatísticas oficiais: segundo a PNAD Contínua do IBGE, 93,9% dos domicílios brasileiros tinham televisão em 2025, e, entre eles, 95% já usavam aparelhos de tela fina. “Ela deixou de ser artigo de luxo e passou a ser item básico da casa”, resume a economista.

A produção em escala, os avanços tecnológicos e a ampliação da oferta ajudaram a tornar as TVs mais acessíveis Reprodução/Martha Stewart

A variedade de preços e o crédito completam a explicação. “Existe TV para praticamente todo orçamento, de modelos de entrada de 32 polegadas na faixa de mil reais a premium, com telas grandes e tecnologias como OLED, que passam facilmente dos R$ 15 mil”, diz Isabel.

Além disso, o parcelamento sem juros no cartão virou padrão para eletrônicos, mas a economista faz um alerta de planejamento financeiro. Por trás dessa abundância de telas baratas, há ainda uma mudança na própria indústria.

Kenneth Corrêa explica que o barateamento das telas grandes passa pelo domínio chinês na fabricação de painéis, com empresas como BOE e TCL CSOT concentrando a produção mundial. Segundo ele, boa parte das TVs de marcas tradicionais funciona como uma “casca” ao redor de hardware chinês, e grupos asiáticos passaram a controlar operações de marcas históricas: a TCL assumiu o controle majoritário da joint venture global de TVs da Sony, a Hisense comprou a divisão de televisores da Toshiba e a Sharp passou ao controle da Foxconn, entre outros movimentos.

Com informações de BGR, IBGE, Agência Brasil e Nielsen. Mais do TechTudo:

Vídeo: LG mostra a TV mais FINA DO MUNDO na CES 2026! LG mostra a TV mais FINA DO MUNDO na CES 2026!

Publicação Original Techtudo techtudo.com.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →