Turista paulista que morreu durante viagem para o Rio foi atingido por tiro enquanto dormia no banco do carona do carro

Turista paulista que morreu durante  viagem para o Rio foi atingido por tiro enquanto dormia no banco do carona do carro - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Na noite do último dia 30, o morador de São Paulo e professor de Matemática Daniel Oliveira de Andrade, de 27 anos, entrou em um carro, junto com dois amigos, para iniciar uma viagem de turismo com destino ao Rio de Janeiro. O passeio comemorava a conclusão do mestrado de Daniel e a notícia de que ele havia sido aprovado para cursar o doutorado na Universidade de São Paulo (USP).

A aproximadamente 40 quilômetros do Rio, já na madrugada do dia 31, a alegria se transformou em dor e morte. Na Baixada Fluminense: paulista é morto a tiros na Dutra, em Nova Iguaçu, durante viagem ao Rio

Violência: traficantes do TCP cortam dedos e raspam cabelo de mulher em Volta Redonda Um dos amigos dirigia o veículo, enquanto o segundo estava no banco traseiro.

O professor dormia no banco do carona, com o assento reclinado, quando quatro disparos atingiram o carro, por volta das 2h30. Uma das balas acertou Daniel na altura da axila.

O caso ocorreu quando o automóvel trafegava na Rodovia Presidente Dutra, na altura de Austin, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Marca de um dos quatro tiros que atingiram carro onde professor foi baleado na Dutra

Reprodução A vítima chegou a ser levada de ambulância para o Hospital Geral de Nova Iguaçu, mas já deu entrada sem vida na unidade de saúde.

Segundo a família do rapaz, os tiros teriam sido disparados por ocupantes de um veículo que tentavam parar um caminhão, provavelmente para realizar um assalto. —Falamos com um dos amigos que acompanhava Daniel na viagem, Ele era o estava dirigindo.

Nos contou que havia um caminhão à frente deles e, atrás, um carro. Esse veículo começou a acelerar e a piscar os faróis, pedindo passagem.

Ele retirou o carro do caminho, e o veículo fez a ultrapassagem, passando também o caminhão. Em seguida, começou a frear e a reduzir a velocidade do caminhão, o que nos faz acreditar que seria uma tentativa de assalto à carga.

O motorista do automóvel em que meu cunhado estava acelerou para fugir, porque achou que estava acontecendo algo errado, e ultrapassou os dois veículos. Segundos depois, o carro que tentou parar o veículo de carga emparelhou com o automóvel, e homens armados efetuaram disparos.

Isso nos faz pensar também que os bandidos podem ter achado que o carro em que meu cunhado estava fosse uma escolta armada do caminhão — disse Alannys Oliveira, cunhada do professor de Matemática. Daniel Oliveira de Andrade foi baleado na Rodovia Presidente Dutra

Reprodução Segundo a família, Daniel Oliveira era uma pessoa gentil, inteligente e que adorava estudar e praticar esportes.

Para Iolanda de Oliveira, mãe da vítima, além de realizar o sonho de concluir o mestrado, o filho também conquistou uma legião de amigos. —Era um menino que, desde pequeno, é inspiração, é luz.

Um menino que nunca deu trabalho, nunca me respondeu, a mim, que sou mãe, nem ao pai. Era um iluminado.

Um cara que cresceu, estudou em escola pública, batalhou para fazer sua faculdade na USP, conseguiu e se formou professor. E que adorava esporte.

Ele não conquistou apenas o objetivo de ser professor e de fazer o mestrado. O sonho dele era concluir o doutorado.

Ele também conquistou uma legião de amigos, colegas, que foram na despedida dele. Foi algo que eu nunca vi na minha vida.

Tanto amor, tanto carinho, só palavras lindas sobre ele. Eu achei que ele era só o Daniel.

Esse gigante, gigante em tudo que fazia, em tudo. E ver uma multidão de alunos, professores da USP, professores do Crescer Sempre, onde ele ensinava, colegas de infância, familiares, amigos, era uma multidão que eu nunca vi.

E isso é algo assim que, meu Deus, enche de orgulho e, ao mesmo tempo, arrasa o coração— disse a mãe, em um vídeo gravado pela família. Eleições nos EUA: de casa simples em Duque de Caxias ao Parlamento da Flórida; conheça a trajetória do deputado eleito

O corpo de Daniel foi levado para São Paulo, onde foi sepultado no Cemitério da Saudade, na Zona Leste. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF).

Nas redes sociais, a família do professor publicou mensagens cobrando respostas sobre o crime. Caso Rosalina: ex-deputado acusado de assassinato em Saquarema diz que crime já prescreveu

"Queremos respostas da Polícia do Rio de Janeiro. Quem matou o nosso menino Daniel Oliveira de Andrade? Queremos justiça", dizia um trecho da publicação.

A Polícia Civil informou que testemunhas foram ouvidas e que a perícia foi feita. Em nota, a corporação afirmou que a investigação está estágio avançado, a fim de elucidar todos os fatos.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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