O governo Trump está ampliando as isenções tarifárias para um número maior de produtos canadenses, uma medida que pode ajudar a impulsionar a campanha de reeleição da senadora republicana Susan Collins, do Maine. Collins anunciou em um comunicado divulgado nesta sexta-feira que as isenções se aplicariam a determinados produtos de papel, plástico, máquinas e algas marinhas.
Segundo ela, a medida ajudaria a economia rural e costeira do estado, incluindo os setores de cultivo de mirtilos, batatas e maçãs, além da indústria de algas marinhas. — Muitos dos nossos agricultores e produtores dependem de equipamentos especializados, materiais de embalagem e outros produtos provenientes do Canadá que não estão disponíveis junto a fornecedores americanos ou não podem ser substituídos sem custos significativos— afirmou.
Trump vai alterar as tarifas para incluir novas cobranças que substituirão as isenções, de modo que o impacto tarifário geral permaneça inalterado, afirmou um funcionário do governo dos Estados Unidos. Uma ficha informativa divulgada hoje informou que as tarifas sobre determinadas importações canadenses — incluindo chapas de compensado, alguns produtos de papel, certas máquinas e equipamentos de refrigeração, além de determinadas caixas e embalagens — serão substituídas por tarifas incidentes sobre “determinadas válvulas, carpetes, produtos residuais e outros itens”.
As mudanças entrarão em vigor em 30 de outubro, segundo o documento. Collins, que enfrenta uma disputa acirrada pela reeleição, tem destacado sua capacidade de garantir reduções tarifárias que afetam consumidores e empresas do Maine.
Seu gabinete informou que ela havia defendido isenções adicionais em conversas com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, e Howard Lutnick, secretário de Comércio. O candidato democrata ao Senado, Troy Jackson, reagiu na sexta-feira afirmando que Collins “quer receber o crédito por levar um copo d’água para apagar um incêndio”.
Segundo ele, a senadora só agiu porque corre o risco de perder sua cadeira. "Precisamos de um senador que enfrente Trump — não de alguém que endosse automaticamente sua agenda e implore por alívio diante do caos que ajudou a criar”, publicou Jackson na rede social X.
No mês passado, o presidente Donald Trump já havia concedido isenções para o sal utilizado no degelo de estradas e outros produtos, após um pedido de Collins. A medida foi anunciada no mesmo período em que Trump divulgou uma série de medidas retaliatórias, depois que as negociações entre os Estados Unidos e o Canadá fracassaram.
O Canadá também alterou suas próprias tarifas retaliatórias para retirar os produtos de frutos do mar da lista de itens sujeitos às cobranças. De acordo com o comunicado de Collins, os produtos recém-isentos incluirão papel ondulado e caixas de papelão, alguns materiais plásticos para embalagens, equipamentos de refrigeração e congelamento, máquinas agrícolas para limpeza, separação e classificação de produtos, determinadas máquinas de embalagem e alimentos produzidos a partir de algas marinhas e outras algas.
As mudanças ocorrem em meio à paralisação das negociações comerciais entre os Estados Unidos e o Canadá. Não houve novas discussões substanciais desde que as tratativas para um acordo tarifário desmoronaram em agosto.
Collins está entre os senadores republicanos que mais correm risco de perder seus mandatos nas eleições de novembro, embora os democratas já tenham fracassado em tentativas anteriores de derrotá-la. A medida é anunciada em um momento em que pesquisas nacionais e estaduais indicam que os eleitores avaliam negativamente os republicanos pela maneira como lidam com o custo de vida e com a guerra de Trump no Irã.
Collins frequentemente contrariou as previsões das pesquisas e enfrentou cenários políticos desfavoráveis para manter sua cadeira no Senado. Agora, porém, ela enfrenta a pressão da alta dos preços — inclusive dos custos de moradia e combustível —, que tornou a vida menos acessível para muitos moradores do Maine.
Jackson tem criticado duramente Collins por causa das tarifas, argumentando que ela poderia usar de forma mais eficaz sua posição como presidente da influente Comissão de Dotações do Senado para pressionar Trump a eliminá-las. Collins tem procurado se distanciar do presidente.
Em um debate recente, afirmou que não é “exatamente a senadora favorita dele”. A senadora republicana atribuiu a si mesma o mérito de ter contestado a agenda tarifária de Trump, inclusive por conseguir a isenção para o sal usado no degelo das estradas.
Isso levou seu adversário, Jackson, a responder durante o debate que os eleitores do Maine “não podem comer sal para estradas”. Além de elevar os preços para os consumidores e prejudicar setores econômicos do Maine, como a agricultura, a disputa comercial também afetou destinos turísticos como Bar Harbor e Ogunquit.
Irritados com o presidente, os canadenses estão deixando de fazer suas viagens de férias habituais para o estado, que faz fronteira com o Canadá.
O Globo