O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) informou nesta sexta-feira que registrou uma Notícia de Fato (NF) para apurar o envio de cartas pelo Supermercados Zona Sul a seus funcionários, às vésperas da eleição, que defendem o "voto consciente" e que "chegou a hora de mudar".
O caso foi antecipado pelo blog do colunista Ancelmo Gois. Assinado pelo presidente da empresa, o documento não cita diretamente nenhum candidato.
Na carta, ele diz que o Brasil vive um "esgotamento ético, moral e de modelo". "Reconhecer o esgotamento de um ciclo não significa perder a esperança.
Significa compreender que insistir nos mesmos erros não produzirá resultados diferentes", diz o texto. O GLOBO procurou o Supermercados Zona Sul, mas a empresa não comentou.
Veja a carta na íntegra: "Temos a sensação de que o Brasil atravessa um momento particularmente difícil de sua história, marcado por uma crise que vai muito além das dificuldades econômicas e das disputas políticas.
Vivemos um ESGOTAMENTO ÉTICO, quando os princípios, a coerência e o comportamento com o interesse público parecem ceder espaço a conveniências, interesses particulares e à ausência de responsabilidade. Um ESGOTAMENTO MORAL, quando a sociedade começa a se acostumar com situações que deveriam causar indignação, quando a confiança nas instituições e em suas lideranças se deteriora.
E, talvez o mais preocupante, um ESGOTAMENTO DO MODELO — político, econômico e institucional. Um modelo que parece ser incapaz de oferecer respostas consistentes aos desafios do País, promover crescimento sustentável, recuperar a confiança, valorizar o trabalho e construir perspectivas reais para as próximas gerações.
Não se trata apenas de construir governos, partidos ou ideologias. Trata-se de reconhecer que nenhuma nação consegue avançar de forma duradoura quando a ética perde espaço, a responsabilidade se dilui e os modelos de gestão deixam de responder às necessidades da sociedade.
O Brasil tem recursos, capacidade produtiva e talentos, que demonstram diariamente sua disposição para trabalhar e superar dificuldades. O que precisamos é transformar esse potencial em prosperidade, com instituições confiáveis, responsabilidade fiscal, segurança jurídica, justiça social e lideranças comprometidas com o interesse coletivo.
O País precisa de uma mudança de postura, de prioridades e de modelo. Reconhecer o esgotamento de um ciclo não significa perder a esperança.
Significa compreender que insistir nos mesmos erros não produzirá resultados diferentes. Talvez o grande desafio do Brasil, neste momento, seja justamente este: recuperar valores, reconstruir a confiança e encontrar caminhos capazes de devolver à sociedade a perspectiva de um futuro melhor.
Porque um país não se transforma verdadeiramente sem antes reconhecer que chegou a hora de mudar. Vote consciente"
Na Bahia, MPT vê assédio Em Salvador, o Ministério Público do Trabalho (MPT) pediu que a Justiça conceda liminar determinando que os supermercados Rede Mix, na Bahia, suspendam o uso de uniformes estampados com o número 22, sob pena de multa diária de pelo menos R$ 50 mil.
Com 20 unidades na Região Metropolitana de Salvador, a empresa argumenta que o número tem como referência o aniversário do grupo, mas a promotoria enxergou assédio eleitoral contra os trabalhadores durante o período das eleições de 2026. Segundo o MPT, a iniciativa pode influenciar ou constranger empregados em suas convicções políticas.
A promotoria afirma que, além de uma denúncia inicial sobre o caso, recebeu representações acompanhadas de fotografias relatando que trabalhadores vinham sendo compelidos a usar as camisas perante colegas, clientes e o público em geral. Segundo a procuradora Manuella Gedeon, que assina ação, a campanha de aniversário foi intensificada em pleno período eleitoral, o que gerou questionamentos sobre possível associação entre a identidade visual adotada pela empresa e mensagens de caráter político-eleitoral.
Antes de levar o caso a Justiça, o MPT fez uma recomendação à Rede Mix para que a empresa revisasse as campanhas que contivessem referências passíveis de interpretação política, mas uma fiscalização constatou que a empresa continuou com o uso dos uniformes.
O Globo