247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende retirar os jornalistas da sala de imprensa da Casa Branca e transformar o espaço em uma piscina coberta. A proposta, apresentada repetidas vezes a integrantes de sua equipe, significaria o fim da presença permanente de organizações jornalísticas dentro da sede do Executivo estadunidense.
Segundo informações publicadas pelo jornal The New York Times, com base em relatos de três pessoas que tiveram conhecimento das conversas, Trump chegou a apresentar a ideia à então secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt. Em uma das últimas reuniões entre os dois, o presidente afirmou que a retirada dos jornalistas da sala James S. Brady representaria seu “último legado”.
A proposta não avançou durante a gestão de Leavitt, que deixou oficialmente o cargo em 27 de agosto. Entretanto, Trump continuou defendendo a mudança e passou a discutir com assessores a possibilidade de recuperar uma antiga piscina instalada no mesmo local.
Trump quer recuperar piscina construída por Roosevelt
O projeto defendido pelo presidente prevê a reabertura da piscina coberta construída em 1933, durante o governo de Franklin D. Roosevelt. A instalação foi criada para auxiliar no tratamento das limitações físicas provocadas pela poliomielite que afetava o então presidente.
Em 1970, o presidente Richard Nixon determinou que a piscina fosse coberta para permitir a instalação de uma sala destinada aos jornalistas que acompanhavam diariamente as atividades da Casa Branca.
Trump pretende reverter essa transformação histórica, substituindo o espaço de trabalho da imprensa por uma instalação recreativa.
Em 27 de setembro, o republicano reforçou publicamente a proposta ao divulgar, em sua rede social Truth Social, duas imagens comparativas. Uma mostrava a atual sala de imprensa, identificada pela expressão “Notícias falsas”. A outra apresentava o ambiente convertido em uma piscina dourada, com a inscrição “Piscina FDR”, referência às iniciais de Franklin Delano Roosevelt.
Pressão contra jornalistas cresce dentro da Casa Branca
A intenção de retirar os profissionais de comunicação da sede presidencial não é recente. Trump já havia discutido a possibilidade durante seu primeiro mandato, mas encontrou resistência entre assessores que consideravam politicamente mais vantajoso manter a imprensa próxima ao presidente.
No mês passado, o Wall Street Journal informou que o republicano havia retomado repetidamente o assunto. Até então, integrantes de sua equipe procuravam dissuadi-lo ou simplesmente aguardavam que ele abandonasse a discussão.
O cenário interno, porém, mudou. O círculo de assessores mais próximos de Trump tornou-se ainda mais restrito, enquanto funcionários favoráveis a medidas duras contra veículos de comunicação passaram a exercer maior influência sobre suas decisões.
A insatisfação do presidente com a cobertura jornalística também aumentou. Segundo os relatos, integrantes de sua equipe passaram a incentivar iniciativas destinadas a punir profissionais e organizações de imprensa.
Proposta ameaça presença histórica da imprensa na sede do governo
A eventual retirada dos jornalistas da Casa Branca teria consequências que ultrapassam a reorganização física do edifício presidencial.
A manutenção de uma sala de imprensa dentro da sede do Executivo representa, há décadas, o reconhecimento institucional do papel da fiscalização jornalística sobre o governo dos Estados Unidos.
A presença permanente dos profissionais permite acompanhar atividades presidenciais, participar de entrevistas coletivas e questionar diretamente representantes da administração.
Embora ainda não exista uma decisão formal para desocupar a sala James S. Brady, a insistência de Trump revela a disposição do presidente de alterar uma estrutura histórica de acesso da imprensa ao poder.
A proposta também se insere em um contexto de crescente confronto entre a administração republicana e organizações jornalísticas, frequentemente acusadas pelo presidente de divulgar informações falsas ou agir contra seu governo.
Brasil 247