O presidente Donald Trump mudou o tom em relação a seus candidatos e aos democratas ao longo da apuração dos votos e conforme as derrotas de seu partido nas eleições de meio de mandato foram sendo conhecidas entre a noite de terça-feira (3) e a madrugada de quarta-feira (4). Os republicanos perderam o controle do Congresso, segundo projeções da Associated Press (AP) e das televisões americanas CNN e NBC.
Durante a apuração, Trump havia dito ao jornal The New York Times que respeitaria os resultados do pleito e trabalharia ao lado dos democratas. “Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, disse.
“Trabalharemos com os democratas e, sabe, estamos ansiosos para colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a um entendimento", afirmou.
Antes das eleições, Trump tinha dito que aceitaria o resultado das urnas "se fossem honestos" e que usaria seu poder de veto para bloquear a agenda dos democratas, sinalizando impasses políticos à frente. À Fox News por telefone na noite da apuração, Trump parabenizou os democratas por sua série de vitórias, mas sustentou que as eleições de meio de mandato não representam um referendo sobre ele - uma avaliação da qual boa parte dos analistas discorda.
“Os democratas fizeram um bom trabalho. Lutaram bastante”, afirmou.
Candidatos escolhidos a dedo por Trump fracassaram, incluindo em Estados em que ele venceu com facilidade em 2024, como na Carolina do Sul, Carolina do Norte e Texas. Na Carolina do Sul, por exemplo, Trump defendeu fortemente que Darline Graham assumisse a campanha após a morte de seu irmão, o ex-senador Lindsey Graham, que era próximo do presidente, em julho deste ano.
Quando as chances de vitória de Darline diminuíram, nas semanas antes da eleição, Trump foi ao Estado duas vezes. “Não vejo isso como um golpe contra mim”, afirmou Trump sobre o resultado geral das eleições.
“Tivemos os dois melhores anos na história da presidência", disse, apesar de a sua aprovação rondar as mínimas históricas. Trump também escreveu em sua rede social ainda na noite de terça que ele "não estava na cédula eleitoral e, se estivesse, teríamos vencido com uma vitória esmagadadora!", contrariando os diversos comícios em que pediu para que os eleitores imaginassem que seu nome estava nas cédulas.
Em um discurso de vitória, a governadora democrata reeleita de Nova York, Kathy Hochul, lembrou o pedido constante de Trump: “Bem, senhor presidente, o senhor conseguiu o que queria!”, ironizou. O candidato republicano ao Senado Ken Paxton, vencido no Texas, reconheceu a vitória do seu adversário, o democrata James Talarico, e também as derrotas de seu partido.
“Tivemos uma noite difícil em todo o país, mas ainda não acabou”, afirmou. Paxton era sabidamente um nome controverso, envolvido em polêmicas, mas Trump insistiu na sua candidatura, e os republicamos colocaram muitos recursos na corrida.
Trump criticou, no entanto, o governador do Texas Greg Abbott, que perdeu a reeleição para Gina Hinojosa. Ela será a primeira governadora democrata do Texas desde Ann Richards na década de 1990.
Também será a primeira governadora latina do Estado. O presidente escreveu na rede social que se Abbott "não tivesse se tornado um RINO (Republicano Apenas no Nome) nos últimos seis meses de sua vida política, ele não teria perdido".
"Ele voltou à sua fórmula original, e não foi bonito de se ver!", afirmou. “Estamos cansados de ouvir que devemos odiar uns aos outros”, disse um vitorioso Talarico a uma multidão de apoiadores.
“Não vencemos essa disputa afastando nossos vizinhos ou envergonhando-os", afirmou. O último democrata a conquistar uma cadeira no Senado pelo Texas foi Lloyd Bentsen, em 1988.
Talarico, de 37 anos, não era nem vivo naquela época - ele nasceu em maio do ano seguinte. (Com agências de notícias)
Globo