Democratas contrários ao genocídio em Gaza e às guerras de Israel venceram com facilidade nos Estados Unidos

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – Candidatos democratas que se destacaram pelas críticas à ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza conquistaram vitórias expressivas nas eleições legislativas dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3). Em Nova York, Darializa Avila Chevalier, Brad Lander e Claire Valdez foram eleitos para a Câmara dos Representantes em distritos de ampla maioria democrata, consolidando a presença de parlamentares críticos à política israelense no Congresso americano.

Segundo o jornal The Times of Israel, com base em projeções da Associated Press, os três candidatos tiveram suas vitórias anunciadas pouco depois do fechamento das urnas. Todos haviam superado adversários mais moderados nas primárias democratas de junho e receberam o apoio do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, também conhecido por suas críticas ao governo de Benjamin Netanyahu.

Avila Chevalier e Valdez integram a organização Democratic Socialists of America (DSA), que defende posições de esquerda e se opõe ao sionismo. Brad Lander, que é judeu e se define como “liberal sionista”, também tem denunciado duramente as operações militares israelenses, classificando a atuação de Israel em Gaza como genocídio.

No mês anterior à eleição, Lander chegou a ser detido brevemente por forças israelenses enquanto participava de uma atividade de colheita de azeitonas com ativistas palestinos na Cisjordânia. Democrata defende embargo total de armas a Israel

Entre os candidatos eleitos, Darializa Avila Chevalier apresentou uma das plataformas mais críticas à política externa americana em relação a Israel. Após votar, ela comentou o anúncio do presidente Donald Trump de que os Estados Unidos pretendem encerrar a ajuda militar anual a Israel até o fim de 2026.

“Acabar com a ajuda militar não é suficiente. Precisamos encerrar o financiamento, com dinheiro dos contribuintes americanos, dos crimes de guerra de Israel, impor um embargo total de armas e garantir o direito de retorno dos palestinos”, afirmou.

O direito de retorno é uma reivindicação histórica dos refugiados palestinos e de seus descendentes, deslocados em decorrência da guerra de 1948 e dos conflitos posteriores. Sua implementação é objeto de divergências profundas entre israelenses e palestinos, especialmente em relação às consequências demográficas e políticas para Israel.

Durante a campanha, Avila Chevalier também foi alvo de críticas por suas posições sobre o sionismo e por declarações relacionadas ao ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. A vitória da candidata ocorre em um contexto de crescente questionamento, especialmente entre eleitores progressistas americanos, sobre a continuidade do apoio militar e financeiro dos Estados Unidos a Israel.

Alexandria Ocasio-Cortez também conquista reeleição A deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez, uma das principais representantes da ala progressista do partido e crítica da política israelense em Gaza, também conquistou a reeleição em seu distrito de Nova York.

O resultado amplia a presença de parlamentares que defendem uma revisão da relação entre Washington e Tel Aviv, embora o Partido Democrata continue dividido sobre a questão. A governadora democrata Kathy Hochul, por exemplo, foi reeleita para um segundo mandato após derrotar o republicano Bruce Blakeman por ampla margem.

Com mais da metade dos votos apurados, sua vantagem superava 20 pontos percentuais. Hochul mantém posições geralmente favoráveis a Israel e relações próximas com comunidades judaicas, mas também construiu uma aliança política com Mamdani, apesar das divergências entre ambos sobre a questão palestina.

Durante a campanha, Blakeman tentou associar a governadora ao antissionismo e ao antissemitismo, enquanto Hochul vinculou o adversário ao presidente Donald Trump, impopular entre os eleitores nova-iorquinos. Republicano aliado de Israel perde cadeira no Congresso

Outra derrota republicana ocorreu no 17º distrito de Nova York, onde Mike Lawler reconheceu a vitória da democrata Cait Conley. Com 57% dos votos apurados, Conley liderava por aproximadamente cinco pontos percentuais.

Lawler, eleito pela primeira vez em 2022, mantinha relações próximas com comunidades judaicas ortodoxas do Vale do Hudson. Nesse caso, entretanto, a disputa não representou um confronto direto entre posições favoráveis e contrárias a Israel, já que ambos os candidatos são considerados geralmente alinhados ao país, embora apresentem divergências sobre temas como os assentamentos na Cisjordânia.

Outros democratas moderados e favoráveis a Israel também venceram suas disputas, incluindo Hakeem Jeffries, Ritchie Torres, Grace Meng, Micah Lasher, Greg Meeks e George Latimer. Os resultados demonstram que a posição sobre Israel não foi uniforme entre os candidatos democratas vitoriosos.

Ainda assim, as vitórias expressivas de Avila Chevalier, Lander, Valdez e Ocasio-Cortez mostram que críticas contundentes às ações militares israelenses não impediram o sucesso eleitoral de candidatos progressistas. Em um momento de crescente debate nos Estados Unidos sobre a assistência militar a Israel e as consequências humanitárias da guerra em Gaza, a chegada desses parlamentares ao Congresso fortalece as vozes que defendem mudanças na política americana para o Oriente Médio.

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