O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira que o presidente americano, Donald Trump, está "frustrado" com as críticas endereçadas pelo líder da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que acusou o republicano de pressionar Kiev a se render à Rússia. O chefe do Departamento de Estado também rejeitou a acusação do presidente ucraniano sobre ações americanas deliberadas para prejudicar os esforços de guerra — sobretudo com a limitação ao sistema de satélites Starshield, essencial para as operações militares com uso de drones. Contexto: Trump está pressionando a Ucrânia a se render à Rússia, diz Zelensky Quer morar fora? Guia interativo reúne informações sobre 36 países Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp — O presidente [Trump] está frustrado porque, antes de tudo, ele não gosta de ser culpado por coisas que não são verdadeiras, incluindo acusações de que ele teria, de alguma forma, ordenado o corte do compartilhamento de informações de inteligência — disse Rubio a jornalistas durante uma viagem à Índia. — Isso não é verdade. Ele [Trump] afirmou isso repetidamente.
As tensões entre Trump e Zelensky se intensificaram desde a semana passada, quando o líder de Kiev rompeu com o cessar-fogo a alvos energéticos anunciado pelo republicano, acusando Washington de ameaçar com a interrupção de compartilhamento de inteligência sobre o lançamento de mísseis pela Rússia e de impor restrições ao sistema de satélites militares que utilizam a tecnologia Starlink. Ele voltou a afirmar que as tropas ucranianas estão sendo prejudicadas por uma redução na velocidade dos sistemas de satélites na segunda-feira, apontando que unidades na linha de frente relataram que os equipamentos "pararam de funcionar" em vários setores do front. Rubio também rebateu as acusações de ação direcionada. — Nada está sendo negado à Ucrânia de forma deliberada — disse o secretário de Estado americano. — Trata-se, simplesmente, de um equilíbrio entre nossas obrigações para com outros parceiros e nossas próprias (...) necessidades relacionadas às nossas instalações. As trocas de acusação entre os presidentes expôs graves discordâncias entre Washington e Kiev com os rumos da guerra no Leste Europeu. Zelensky acusa Trump de ter tomado uma postura abertamente pró-Moscou, simpática ao presidente Vladimir Putin, depois que o americano anunciou um acordo de fornecimento de diesel russo. Posteriormente, o republicano também suspendeu o efeito de sanções autorizadas pelo Congresso dos EUA contra a Rússia, antes mesmo de entrarem em vigor. Em uma entrevista no domingo, o presidente ucraniano afirmou que Trump está "tentando forçar uma capitulação" de Kiev a Moscou. Antes, já havia dito ser "doloroso" ver Washington tomar o lado de Moscou, e reagiu com ironia ao ser questionado, durante uma viagem à Bruxelas, ao ser questionado se estava sendo usado como "bode expiatório" pelo presidente americano, para os problemas enfrentados pelos EUA. *Matéria em atualização
O Globo