O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (23) que poderia encerrar a guerra com o Irã "muito rapidamente" e chegou a sugerir que os EUA poderiam tomar todo o petróleo iraniano. Segundo ele, a questão agora é decidir entre acabar com o Irã ou deixá-lo "definhar".
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A declaração do mandatário americano se deu após o jornal britânico Guardian ter informado que autoridades iranianas ameaçaram atacar instalações petrolíferas, cabos submarinos, centros de dados e estruturas de inteligência artificial (IA) de até sete países do Golfo aliados de Washington caso os EUA e Israel retomem a ofensiva militar contra o país.
Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, afirmou que a República Islâmica prepara uma resposta mais ampla para eventuais novos ataques. "Em caso de guerra, cabos, centros de dados e instalações de inteligência artificial também poderão ser alvos", declarou, segundo a imprensa iraniana citada pelo jornal britânico.
A ameaça foi reforçada por Mehdi Mohammadi, assessor de Mohammad Ghalibaf, responsável pelas negociações iranianas com Washington para encerrar o conflito anterior. De acordo com ele, uma nova guerra seria vista por Teerã como uma ameaça existencial, e a resposta iraniana não teria "nenhuma linha vermelha", podendo ampliar tanto a duração quanto o alcance geográfico do confronto.
As declarações ocorrem em meio a relatos de que os EUA preparam uma lista de alvos para uma possível ofensiva conjunta com Israel após as eleições legislativas americanas de 3 de novembro. Washington e Tel Aviv também intensificaram exercícios militares na região, ao mesmo tempo em que o governo Trump planeja reforçar sua presença no Oriente Médio com porta-aviões, caças e milhares de militares.
Nesta semana, a tensão se estendeu novamente ao Estreito de Ormuz, onde a Guarda Revolucionária iraniana (IRGC, na sigla em inglês) afirmou ter atingido sete embarcações, incluindo três que teriam colidido com minas. O episódio contribuiu para pressionar os preços do petróleo, com o Brent negociado acima de US$ 116 por barril nesta sexta-feira.
Apesar das ameaças, as negociações mediadas pelo Paquistão para um cessar-fogo continuam. Entre as propostas discutidas estão a liberação de ativos iranianos congelados em troca do fim do bloqueio de Ormuz, a retomada de inspeções nucleares da ONU no Irã e a transferência de urânio da República Islâmica altamente enriquecido para um terceiro país.
Teerã tem condicionado os avanços à suspensão das sanções americanas. Mísseis iranianos são exibidos ao lado de uma faixa com a imagem do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, em uma rua de Teerã
Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS
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