Transparência Internacional diz que vitória de Lula deve ser respeitada, mas cobra petista por combate à corrupção

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A ONG Transparência Internacional-Brasil afirmou nesta segunda-feira que a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "deve ser respeitado por todos os atores políticos", mas cobrou o petista por combate à corrupção. A manifestação ocorre após o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) ter afirmado, no domingo, que não aceitaria a derrota.

Eleição: Lula avançou em todos os estados na comparação com Flávio; veja o saldo entre o primeiro e segundo turno em cada um Para a organização, o "resultado apertado desta eleição não pode ser interpretado como um aval irrestrito ao desempenho de seu governo ou como um cheque em branco para a continuidade de práticas que contribuíram para agravar problemas institucionais do país".

A ONG avalia que a votação revela um Brasil dividido e uma sociedade que espera respostas concretas para desafios que permanecem sem solução. "Lula possui credenciais democráticas relevantes e um histórico de respeito à ordem constitucional e ao processo eleitoral.

No entanto, parte importante dos problemas institucionais que hoje fragilizam a democracia brasileira também está associada a escolhas, omissões e prioridades observadas em seus governos", afirma a nota. A ONG critica a gestão de Lula citando o que chama de "progressiva relegação do combate à corrupção a uma posição secundária no discurso e na agenda governamental".

A Transparência Internacional-Brasil tambem vê uma "insuficiente reação a retrocessos institucionais acumulados nos últimos anos e a ausência de iniciativas mais firmes para fortalecer a independência e a credibilidade de instituições essenciais da República". "Soma-se a isso a persistência de práticas que comprometem a equidade da competição eleitoral, incluindo o uso extensivo da máquina pública e da expansão de gastos governamentais em períodos eleitorais para influenciar a disputa política, uma distorção observada em sucessivos governos e que demanda respostas institucionais mais efetivas para proteger a integridade do processo democrático", afirma a ONG.

Segundo a nota, o combate a corrupção passa pela "recuperação da autonomia, dos quadros técnicos, dos recursos orçamentários e da capacidade operacional dos órgãos de controle e fiscalização, bem como pelo fortalecimento da independência e da qualidade regulatória de instituições estratégicas como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e as agências regulatórias".

Lula, de 80 anos, foi reeleito neste domingo presidente da República para um quarto mandato, numa virada inédita desde a redemocratização brasileira. O ex-torneiro mecânico, que há duas décadas se tornou o primeiro operário a governar o país, confirmou sua recondução ao cargo.

Ele terminou com 51,79%, contra 48,21% do senador do PL. Lula conquistou 68.256.232 votos, e Flávio obteve 59.826.041 no resultado final.

Durante a reta final da campanha, Lula e Flávio chegaram ao domingo da eleição empatados tecnicamente dentro da margem de erro, porém com uma vantagem numérica para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na Datafolha, Flávio aparecia com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula.

A Quaest mostrou um cenário semelhante: Flávio com 51% das intenções de votos válidos, contra 49% de Lula. Lula saiu atrás no primeiro turno de Flávio Bolsonaro, conquistando 45,16% dos votos, ante 47,03% do senador do PL.

A diferença foi de 2.224.965 votos, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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